Muitas pessoas investem em smartwatches para ter um aliado na rotina de atividades físicas, mas acabam acompanhando apenas o tradicional contador de passos diários. No entanto, o dispositivo oferece diversos recursos que podem contribuir para otimizar os resultados dos treinos.
São diferentes indicadores fisiológicos que ajudam a acompanhar a saúde e o desempenho físico. E entender essas métricas permite ajustar a intensidade dos exercícios, evitar o excesso de esforço e tornar a prática de atividades físicas mais segura.
Em entrevista ao Canaltech, Thiago Augusto Costa de Oliveira, professor doutor da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, afirma que o usuário pode utilizar as informações fornecidas pelos relógios inteligentes para ter acesso a dados objetivos sobre como o organismo responde a cada estímulo.
Para ajudar os praticantes de atividades físicas a aproveitar melhor os smartwatches no dia a dia, reunimos quatro métricas oferecidas pelos aparelhos que merecem atenção:
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Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC);
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VO₂ Máximo (Capacidade Cardiorrespiratória);
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Zonas de Frequência Cardíaca;
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Tempo de Recuperação.
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1. VFC (Variabilidade da Frequência Cardíaca / HRV)
A Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC) é uma métrica que analisa a pequena variação de tempo, medida em milissegundos, entre um batimento cardíaco e outro. O relógio estima essa oscilação a partir dos intervalos entre batimentos detectados pelos sensores ópticos do pulso para indicar como o sistema nervoso está lidando com o estresse e a recuperação.
"Uma VFC alta reflete, em grande parte, maior modulação parassimpática sobre o coração e, assim, maior capacidade de recuperação. Já uma VFC mais baixa que o habitual costuma indicar que o corpo ainda está sob estresse, seja de um treino intenso ou de uma noite mal dormida", explica o especialista.
Como os dispositivos geralmente obtêm esses dados com maior precisão durante o sono, acompanhar essas variações ajuda a identificar o momento ideal para treinar com mais intensidade. O docente ressalta que essa observação constante é um bom indicativo para decidir se vale a pena fazer um treino mais exigente ou optar por uma atividade leve.
2. VO₂ Máximo (Capacidade Cardiorrespiratória)
O VO₂ Máximo representa a quantidade máxima de oxigênio que o corpo consegue absorver, transportar e utilizar durante um esforço físico intenso. O smartwatch estima esse indicador cruzando informações como frequência cardíaca, velocidade e distância percorrida durante as atividades.
Além de indicar o condicionamento físico, essa métrica também é considerada um importante indicador da saúde cardiovascular. Para obter dados mais precisos, o ideal é realizar treinos ao ar livre, já que muitos algoritmos utilizam o GPS para otimizar os cálculos.
Thiago também destaca que o mais importante não é o valor isolado, mas a evolução desse indicador ao longo do tempo.
"O valor de acompanhar essa métrica ao longo dos meses não reside no número isolado, mas na tendência: se o VO₂ Máximo estimado sobe de forma consistente, é um forte indício de que o condicionamento cardiorrespiratório está melhorando com o treino. Assim como a VFC, ele funciona como um retorno de longo prazo", destaca o professor.
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3. Zonas de Frequência Cardíaca
Existe um mito de que treinar sempre no limite do esforço físico é a forma mais rápida de obter resultados. Na prática, exercícios em intensidades mais baixas utilizam proporcionalmente mais gordura como fonte de energia, embora o gasto calórico total dependa também da intensidade e da duração da atividade.
"O sistema de zonas do relógio ajuda justamente a visualizar isso. Ele mostra, em tempo real ou pós-treino, em qual intensidade a pessoa está treinando e por quanto tempo, evidenciando que treinar 'puxado' o tempo todo não é sinônimo de treinar melhor, mas frequentemente de estagnar ou se lesionar", enfatiza Thiago.
Acompanhar essa informação no smartwatch auxilia no controle da intensidade do exercício e evita exageros desnecessários. O professor explica que permanecer constantemente nas zonas mais altas faz o organismo utilizar principalmente carboidratos como fonte de energia, aumentando o risco de fadiga acumulada.
4. Tempo de Recuperação
Após o fim da atividade física, muitos relógios inteligentes estimam o tempo necessário para que o organismo se recupere antes do próximo treino. Para chegar a essa recomendação, o sistema considera fatores como intensidade do exercício, frequência cardíaca, VFC e, dependendo do modelo, até a qualidade do sono.
Ignorar repetidamente essas recomendações pode prejudicar a adaptação ao treinamento e comprometer a evolução do condicionamento físico. O professor alerta que a falta de descanso aumenta o risco de problemas relacionados ao excesso de treinamento, e ressalta que a estimativa do relógio deve ser interpretada em conjunto com a percepção do próprio usuário.
"Treinar repetidamente sem recuperação adequada é justamente o mecanismo por trás da síndrome do overtraining, que pode causar queda de desempenho, alterações de humor, distúrbios do sono, maior suscetibilidade a lesões musculoesqueléticas e até impacto no sistema imunológico", aponta o especialista.
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Smartwatch não substitui acompanhamento de um profissional
Para quem pratica atividades físicas, os smartwatches de fato oferecem informações úteis para acompanhar a evolução dos treinos, identificar padrões de recuperação e monitorar indicadores de saúde. Mas a precisão dos sensores pode diminuir durante exercícios de alta intensidade ou com muito movimento dos braços, por exemplo.
"É fundamental deixar claro que essas tecnologias, por mais sofisticadas que sejam, não substituem o acompanhamento de um profissional de educação física. Os dados fornecidos pelo relógio são estimativas baseadas em algoritmos e sensores com limitações conhecidas. Sua correta interpretação, assim como a definição de volume, intensidade e progressão de treino adequados a cada indivíduo, exige conhecimento técnico”, reforça o docente.
Diante disso, Thiago acrescenta que o smartwatch deve ser encarado como uma ferramenta de apoio para orientar decisões, e não como a única fonte para definir a rotina de exercícios. A recomendação é sempre buscar orientação profissional para garantir uma prática mais segura, individualizada e eficaz.
Além dos smartwatches, outros dispositivos também podem ser usados na rotina de exercícios. E o Canaltech listou 4 tecnologias que te ajudam a dar um salto de evolução nos treinos.
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