A geração que cresceu jogando está chegando aos cargos de decisão

A geração que cresceu jogando está chegando aos cargos de decisão

As empresas vivem uma mudança geracional importante. Millennials já ocupam posições de liderança em diferentes setores, enquanto a Geração Z começa a assumir funções de gestão. Essas gerações cresceram em um período marcado pela expansão da internet, dos videogames e dos dispositivos digitais, tecnologias que passaram a fazer parte da rotina de milhões de pessoas.

A partir dos anos 2000, a indústria de games entrou em um novo momento. A expansão da banda larga, dos consoles e dos jogos online ampliou o acesso e transformou a forma como milhões de pessoas interagiam com a tecnologia. Jogos como The Sims 2, World of Warcraft, Guitar Hero, Minecraft e League of Legends marcaram diferentes momentos dessa evolução e ajudaram a consolidar os jogos como parte da cultura digital.

Essa presença dos games no cotidiano também pode ser observada no Brasil. Segundo a Pesquisa Game Brasil (PGB) 2025, 82,8% dos brasileiros afirmam jogar jogos digitais, o maior índice registrado pelo levantamento desde sua criação.

Como a cultura digital acompanha uma geração até a liderança

Duas décadas depois, essa geração começa a ocupar posições de decisão em empresas de diferentes setores. Os videogames não formaram líderes por si só. Eles fizeram parte do repertório tecnológico e cultural de profissionais que hoje ajudam a definir estratégias, conduzir equipes e acompanhar a rápida transformação digital dos negócios.

A chegada dessa geração às posições de liderança coincide com outra transformação: o avanço da inteligência artificial no ambiente de trabalho. À medida que a IA assume parte da execução de tarefas, competências como pensamento crítico, avaliação dos resultados e capacidade de tomar decisões tornam-se cada vez mais importantes.

O relatório Índice de Tendências do Trabalho 2026, da Microsoft, mostra que 58% dos usuários de IA afirmam estar produzindo trabalhos que não conseguiriam realizar há um ano. A pesquisa também aponta que, conforme a tecnologia assume mais tarefas de execução, os profissionais passam a ter um papel maior na definição de direções, avaliação de resultados e tomada de decisões. Entre as habilidades humanas consideradas mais importantes nesse cenário estão o controle de qualidade das respostas da IA e o pensamento crítico.

Não existe uma relação direta entre jogar videogame e desenvolver essas competências. Essa geração, porém, construiu sua familiaridade com a tecnologia em um contexto diferente das anteriores. Desde cedo, conviveu com atualizações frequentes, plataformas digitais, comunidades online e novas formas de interação que acompanharam a evolução dos próprios jogos eletrônicos.

Essa proximidade também ajuda a explicar por que conceitos inspirados no universo dos games passaram a aparecer em diferentes áreas das empresas. A gamificação, por exemplo, vem sendo aplicada em programas de treinamento, integração e desenvolvimento profissional, utilizando mecânicas como desafios, metas, acompanhamento de progresso e feedback contínuo para apoiar experiências de aprendizagem e engajamento. Trata-se de uma abordagem que incorpora dinâmicas já familiares a muitos profissionais.

A chegada dessa geração aos espaços de decisão mostra como a relação com a tecnologia mudou ao longo das últimas décadas. Profissionais que cresceram acompanhando a evolução dos jogos, da internet e das tecnologias digitais agora participam das decisões que orientam empresas, produtos e equipes. Reconhecer esse repertório não significa atribuir aos videogames a formação dessas lideranças, mas compreender que eles fazem parte da trajetória de uma geração que ajuda a definir os rumos da inovação e do futuro do trabalho.

Confira também como os grandes eventos se tornaram o novo palco dos games, onde tecnologia, entretenimento e comunidade se encontram.

{{WHATSAPP_CHANNEL}}