
O XBOX Series S foi lançado no Brasil em novembro de 2020 e foi uma mão na roda para mercados emergentes como o nosso. Impostos e altos preços têm tornado a vida do gamer cada vez mais difícil na última década, mas a Microsoft tinha o plano perfeito para resolver esse tipo de problema.
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O XBOX Series S chegou ao Brasil pelo preço sugerido de R$ 2.999, mas podia ser encontrado por R$ 2.200 até menos em seus primeiros anos por aqui. Como Romeu e Julieta, o console ficava ainda melhor com a assinatura do XBOX Game Pass Ultimate, que na época custava R$ 44,99 mensais no país.
O combo era a melhor porta de entrada para a atual geração.
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Porém,a vida de quem quer adquirir um XBOX Series S tem se tornado cada vez mais complicada. Desde 2024, a gestão de Sarah Bond e Phil Spencer se afastou cada vez mais do hardware e do mercado brasileiro. A infame dupla colocou todas as apostas em serviços e cloud gaming, além de promover uma série de aumentos, tanto em suas plataformas quanto nos serviços.
Agora, a divisão está nas mãos de Asha Sharma, que tem tomado decisões muito positivas para a imagem e a saúde da marca, em especial para o hardware. Com todo esse contexto da trajetória do monstrinho, nos resta a dúvida: ainda faz sentido comprar um XBOX Series S no Brasil em 2026?
XBOX Series S já não tem o mesmo custo-benefício de antigamente
Os últimos anos foram bem cruéis para o XBOX Series S. O monstrinho chegou a ter preço sugerido de R$ 2.649,99, mas era facilmente encontrado por menos de R$ 2.200. Em períodos de promoção, como a Black Friday, era possível até entrar na nova geração pela bagatela de R$ 1.700.
No entanto, a coisa começou a mudar de figura em 2023, quando a Microsoft anunciou um aumento de quase R$ 1.000 no preço sugerido do XBOX Series S, que naquela altura ficou em R$ 3.599.
A situação piorou ainda mais com o passar dos anos, devido à escassez e a problemas de abastecimento de ambos os modelos da linha XBOX Series em varejistas no Brasil e no mundo. Em 2026, ainda é possível encontrar algumas poucas ofertas do monstrinho que realmente valham a pena. Contudo, não se assuste se encontrar preços acima de R$ 3.000 ou R$ 4.000 em e-commerces, por exemplo.
A coisa fica ainda mais feia quando comparamos o valor com o do PlayStation 5. Só de pensar que, com uma graninha a mais, já é possível adquirir um PS5 (que é mais potente, possui exclusivos e até jogos do XBOX), comprar um XBOX Series S parece loucura.
Ainda que o cenário esteja desfavorável, comprar um XBOX Series S por até R$ 3.000 não é uma ideia tão exorbitante, em especial se considerarmos que GTA 6 está batendo à porta. Ainda que a Rockstar não tenha revelado a performance e a qualidade de seu jogo megalomaníaco no Series S, o game já está confirmado no sistema.
O mercado de usados e seminovos é uma excelente pedida para contornar os altos preços. Muitos jogadores optaram por vender seus consoles da Microsoft devido à posição da marca sob a gestão de Bond e Spencer, além da ausência de exclusivos, o que trouxe muitos consoles de segunda mão barateados.
Para quem quer explorar esse mercado, o Canaltech respondeu à dúvida sobre se vale a pena comprar um XBOX Series S usado e trouxe cinco cuidados ao adquirir um console de segunda mão.
XBOX Game Pass ficou mais barato
O XBOX Series S sofreu e ainda sofre muito com os preços, mas, depois de adquirir o sistema, você terá uma vida um pouco mais fácil. Até o início do ano, assinar o XBOX Game Pass Ultimate era algo impensável. Em 2025, a Microsoft anunciou um aumento para o serviço de quase 100%, o que elevou a mensalidade do Game Pass para exorbitantes R$ 120 por mês.
Uma das principais mudanças na nova gestão de Asha Sharma no comando do XBOX foi a redução dos valores dos planos XBOX Game Pass Ultimate e PC Game Pass, graças à retirada de Call of Duty do serviço. No Brasil, o alívio no cartão de crédito foi de até 35% nas assinaturas. Agora, o nível Ultimate custa R$ 76,70 por mês (uma queda de R$ 43), enquanto o serviço no PC passou para R$ 59,99 por mês (cerca de R$ 10 mais barato).
Os novos valores são bem distantes dos nostálgicos R$ 44,99 que pagávamos lá em 2020, mas deixam o serviço bem mais atrativo para o grande público. Aliado a isso, a divisão promete uma line-up fantástica para 2026 e começou com os dois pés no peito, diga-se de passagem, graças ao lançamento de Forza Horizon 6. O jogo de corrida da Playground Games trouxe o Japão em um espetáculo visual de tirar o fôlego e conquistou a maior média de notas no Metacritic do ano, ultrapassando até mesmo os aclamados Resident Evil Requiem e Pokémon Pokopia.
Para quem conseguir achar o XBOX Series S por um preço razoável, ou para quem já tem o sistema, assinar o XBOX Game Pass é uma adição extremamente bem-vinda e irá garantir acesso a centenas de jogos, incluindo títulos no dia do lançamento. Jogadores que são assinantes do Discord Nitro ainda podem resgatar um plano básico do XBOX Game Pass gratuitamente, com acesso a um catálogo limitado, mas que já garante centenas de horas de jogatina.
Recursos que valem a pena
O XBOX Series S dispõe de recursos muito bem-vindos para os jogadores, seja nos games ou em nível de ecossistema. A Microsoft cultivou um programa de retrocompatibilidade robusto que, embora tenha sido paralisado há alguns anos, ainda oferece a possibilidade de jogar títulos do XBOX 360 e até do console original.
Outra funcionalidade bem-vinda é o XBOX Play Anywhere, que permite comprar um game e acessá-lo no PC, console, portátil ou nuvem. Particularmente, usei muito o XBOX Play Anywhere ao jogar Hollow Knight: Silksong. Quando estava em casa, acessava o metroidvania pelo XBOX Series S; quando estava em outro lugar, continuava a aventura por Pharloom por meio do notebook e, em algumas vezes, pela nuvem.
Para assinantes do XBOX Game Pass, também há a opção de streaming via nuvem, que é uma excelente pedida, em especial se você está procurando um novo jogo para curtir. Em vez de baixar o software e lotar seu SSD, você pode primeiro testá-lo no Cloud Gaming e decidir se realmente vale a pena baixá-lo ou não.
Recursos como o Quick Resume, a função Transmita Seu Próprio Jogo e outros amplificam ainda mais a experiência no ecossistema XBOX, tornando-se uma oferta perfeita para usuários do Series S.
Paridade entre os modelos XBOX Series
Abordamos anteriormente a paridade de conteúdo exigida pela Microsoft, que garante que o XBOX Series S e o XBOX Series X recebam os mesmos títulos com os mesmos conteúdos. Isso é excelente para quem quer aproveitar a atual geração e os jogos mais recentes, mesmo com uma qualidade mais baixa.
O desejo pela performance perfeita e gráficos realistas não é uma prioridade para muitos jogadores, em especial para aqueles em condições financeiras menos favoráveis ou para quem ainda tem um XBOX One ou XBOX 360. Só de ter acesso a jogos como Forza Horizon 6, Final Fantasy VII Remake, Resident Evil Requiem e tantos outros lançamentos, já é uma vantagem enorme.
Obviamente, essa paridade não é perfeita. Houve muitos casos em que o "monstrinho" foi considerado culpado por certas desenvolvedoras não lançarem seus jogos nos sistemas de nona geração da Microsoft. É o caso de Baldur's Gate III e Black Myth: Wukong, sendo este último um cenário um pouco mais nebuloso e polêmico, mas que ainda assim representou uma perda momentânea para os jogadores de XBOX.
Contudo, não se engane: 99% dos jogos atuais acabam chegando ao XBOX, com exceção de exclusivos de concorrentes ou de desenvolvedoras que simplesmente não querem lançar seus jogos para a plataforma.
Futuro do XBOX transforma compra do Series S em investimento de risco
Que Asha Sharma começou balançando toda a estrutura errática do XBOX, disso não temos dúvidas. No entanto, não podemos nos precipitar aqui. Ainda é muito cedo para bater o martelo sobre a gestão da executiva, principalmente enquanto ela não toca na ferida mais aberta do XBOX: os exclusivos.
A exclusividade vai claramente definir o sucesso ou o fracasso da Microsoft como produtora de consoles. O fato inegável é que o hardware e a imagem da marca foram seriamente danificados desde que a divisão começou a portar a prataria da casa para consoles concorrentes. Para comprovar isso, basta ver a receita trimestral do setor de hardware do XBOX nos últimos dois anos.
Com menos exclusividade, os jogadores veem menos motivos para entrar no ecossistema do XBOX, o que os leva para o Nintendo Switch 2 e o PlayStation 5. Poucos jogadores significam menos público para as desenvolvedoras, que, por sua vez, se perguntam se realmente vale a pena o custo de desenvolvimento, o que pode gerar menos jogos na plataforma.
Se, por um lado, os jogos exclusivos limitam o acesso de certos títulos aos jogadores e dificultam a preservação dos games, por outro lado, isso só funciona se todas as fabricantes aderirem ao modelo multiplataforma irrestrito (o que definitivamente não irá acontecer tão cedo). Não adianta apenas o XBOX levar seus jogos para outras plataformas enquanto a Sony e a Nintendo seguram suas produções. Isso de forma alguma leva ao maior acesso aos jogos, mas sim a um perigoso monopólio e ao enfraquecimento do XBOX como fabricante de hardware.
Ainda faz sentido comprar um XBOX Series S no Brasil em 2026?
Ainda faz sentido comprar um XBOX Series S no Brasil em 2026? A resposta para essa pergunta é: depende. Se você encontrar um XBOX Series S por um bom preço, já tiver uma biblioteca no ecossistema do XBOX e mantiver interesse no XBOX Game Pass, o monstrinho passa a ser um belo atrativo.
Agora, se você prioriza desempenho e qualidade gráfica e não se importa em pagar a mais por experiências mais robustas, talvez este não seja o melhor negócio. Tudo dependerá do preço pelo qual você encontrar o console e do seu interesse pelos produtos da casa.
Embora as expectativas estejam otimistas com as mudanças promovidas por Asha Sharma, o futuro da marca ainda é incerto. No Brasil, poucos têm o luxo de gastar R$ 3.000 em um videogame para ver algum executivo engravatado virar tudo de cabeça para baixo daqui a alguns meses e piorar a experiência no hardware, seja com o aumento de preços, com a baixa oferta de jogos ou fatores semelhantes.
Talvez o melhor caminho seja esperar para ver os próximos passos da divisão, aguardar uma decisão sobre os exclusivos e observar se o XBOX voltará a olhar para o Brasil com carinho.
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