Ar-condicionado de janela só na energia solar: quantas placas você precisa?

Muita gente ainda usa ar-condicionado de janela no Brasil, seja por custo menor, por já ter o nicho de instalação pronto ou porque o equipamento ainda atende bem o ambiente. Pensando nisso, seria possível rodar um ar-condicionado de janela todos os dias usando apenas energia solar?

Tecnicamente, sim. Como já mostramos em outras simulações, isso exige planejamento, um sistema fotovoltaico bem dimensionado e um entendimento claro de que estamos falando de um equipamento que consome uma quantidade considerável de energia.

Entendendo o consumo e as premissas do cálculo

Em conversa com o Canaltech, o engenheiro Rogers Demonti reforça que esse tipo de projeto exige atenção redobrada.

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“O consumo para produzir frio é alto. O ambiente tem muita energia térmica entrando o tempo todo. Mesmo sendo eficiente, o ar-condicionado precisa trabalhar continuamente; vamos pensar que essa energia precisa ser guardada”, explica.

O ar-condicionado de janela varia bastante em potência, mas a maioria dos modelos populares gira entre 10.000 e 12.000 BTU, com consumo um pouco maior que versões Split equivalentes – já que, em geral, eles não possuem tecnologia inverter.

Na prática, é comum que um ar de janela dessa faixa consuma algo próximo de 1,2 kW a 1,4 kW em operação contínua. Considerando o mesmo cenário adotado nos estudos anteriores, com 12 horas de uso diário, chegamos a algo em torno de 16 kWh por dia apenas para o ar-condicionado.

Um ar-condicionado de janela pode consumir mais energia elétrica do que um modelo split convencional (Divulgação/Consul)

Mais uma vez, a simulação considera metade do funcionamento durante o dia, com energia direta dos painéis, e metade à noite, com energia armazenada em baterias ou compensada via créditos na rede. As referências utilizadas foram:

  • Painéis solares de 400 Wp;
  • Fator de desempenho médio do sistema: 0,75;
  • Eficiência das baterias: 85%;
  • Profundidade de descarga: 80%.

Também temos que considerar as horas-pico de sol (PSH), o período em que os raios solares são mais intensos ao longo do dia. Isso varia de acordo com a região, por isso consideramos algumas das principais cidades brasileiras:

  • Fortaleza — 5,5 h/dia
  • Brasília — 5,0 h/dia
  • Manaus — 4,5 h/dia
  • São Paulo — 4,0 h/dia
  • Curitiba — 3,5 h/dia

Quantas placas solares são necessárias?

Considerando as perdas do sistema e a necessidade de armazenar parte da energia para a noite, o sistema precisa gerar algo em torno de 17 kWh por dia. Dessa forma, chegamos aos seguintes valores aproximados:

  • Fortaleza → cerca de 4,3 kWp, equivalente a 11 painéis de 400 Wp
  • Brasília → aproximadamente 4,7 kWp, cerca de 12 painéis
  • Manaus → por volta de 5,2 kWp, algo como 13 painéis
  • São Paulo → cerca de 5,7 kWp, equivalente a 15 painéis
  • Curitiba → próximo de 6,7 kWp, exigindo cerca de 17 painéis

Isso mostra que mesmo sendo um equipamento relativamente simples, o ar-condicionado de janela exige um sistema fotovoltaico considerável para funcionar sozinho. Segundo Rogers, os números surpreendem, mas fazem parte da realidade energética desses aparelhos.

“Às vezes o resultado assusta porque dá muitos painéis, mas ele está correto: é um consumo muito alto e os painéis não têm uma eficiência tão grande assim”, afirma.

Seria necessário de 11 a 17 painéis para sustentar um ar-condicionado de janela de forma independente (Reprodução/Solar Pomare)s

Baterias e inversor

Se a ideia é garantir funcionamento à noite sem depender da rede elétrica, também é preciso considerar o armazenamento energético.

Nesse cenário, seriam necessários aproximadamente 8 kWh úteis por noite, o que leva a algo próximo de 12 kWh de bateria bruta, considerando perdas e limites de descarga. Já o inversor híbrido precisa suportar uma potência contínua acima de 2 kW, com folga para lidar com picos do compressor.

Assim como nos outros cenários, operar um ar-condicionado de janela exclusivamente com energia solar é tecnicamente viável, mas envolve investimento e planejamento. Em vez de pensar em um sistema só para o ar-condicionado, faz mais sentido dimensionar a geração para toda a casa.

Inclinação, orientação dos painéis, sombreamento, manutenção e até a idade do equipamento também influenciam muito no resultado — e, como os modelos de janela costumam ser menos eficientes que versões Split inverter, isso naturalmente aumenta o número de placas necessárias.

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