A Nubia apresentou na China o NaviX Ultra, novo celular Android que chama atenção por uma escolha incomum: o aparelho tem dois leitores de impressões digitais, e cada um foi instalado para cumprir uma função diferente. O sensor sob a tela cuida do desbloqueio tradicional, enquanto o segundo fica integrado ao botão dedicado à inteligência artificial.
O modelo também aposta forte em recursos de IA e traz uma ficha técnica de topo de linha, com Snapdragon 8 Elite Gen 5, bateria de 7.100 mAh e câmera principal de 200 MP.
Para que servem dois leitores de digitais?
O sensor principal é um leitor ultrassônico da Goodix instalado sob a tela. Ele funciona como a biometria de qualquer outro celular Android atual, com suporte ao desbloqueio do aparelho, autenticação em aplicativos e pagamentos.
O segundo leitor fica no botão lateral dedicado à IA. Segundo a Nubia e a Goodix, ele autentica o usuário no mesmo instante em que o botão é pressionado para iniciar uma conversa com a inteligência artificial.
A proposta elimina uma etapa. Em vez de desbloquear ou autenticar o celular pelo sensor da tela e depois apertar o botão de IA, o usuário faz as duas coisas no mesmo comando.
Apesar da aplicação diferente, o NaviX Ultra não é o primeiro celular com dois sensores biométricos. O Porsche Design Huawei Mate RS, de 2018, por exemplo, combinava um leitor traseiro com outro instalado sob a tela.
NaviX Ultra tem IA integrada ao sistema
A inteligência artificial é um dos principais argumentos da Nubia para o aparelho. A fabricante o apresenta como um celular desenvolvido ao redor de recursos de IA, embora outras marcas já tenham adotado propostas semelhantes anteriormente.
O sistema utiliza o modelo Seed, da ByteDance, e oferece interação multimodal, ativação por voz e conversas contínuas sem a necessidade de repetir o comando de ativação a cada pergunta.
A IA também pode auxiliar na escrita de códigos e se integrar a aplicativos de terceiros, o que amplia as possibilidades de automação diretamente pelo celular.
Ficha técnica é de topo de linha
Fora da inteligência artificial, o NaviX Ultra tem especificações compatíveis com celulares premium. A tela OLED possui 6,78 polegadas, resolução de 2.800 x 1.260 pixels e taxa de atualização de 144 Hz.
O desempenho fica por conta do chipset Snapdragon 8 Elite Gen 5. A bateria tem capacidade de 7.100 mAh, com carregamento de 90 W por cabo e 50 W sem fio.
Nas câmeras, o aparelho traz um sensor principal de 200 MP, acompanhado por uma telefoto periscópica de 64 MP com zoom óptico de 3x e uma ultrawide de 50 MP.
Na China, o Nubia NaviX Ultra parte de ¥ 5.999 na versão com 12 GB de RAM e 512 GB de armazenamento, valor equivalente a cerca de R$ 4.610 em conversão direta. Por enquanto, não há previsão de lançamento global ou disponibilidade oficial no Brasil.
Dois sensores funcionam, mas não é a alternativa mais prática
A solução da Nubia funciona, mas existem formas possivelmente mais práticas de chegar ao mesmo resultado sem adicionar outro componente ao celular, o que pode encarecer a produção e o custo final.
Em 2019, por exemplo, lembro de usar um Xiaomi que oferecia atalhos vinculados ao próprio leitor de digitais. Depois do desbloqueio, era possível manter o dedo no sensor e deslizá-lo em direção a diferentes atalhos da tela para abrir funções ou aplicativos configurados previamente.
Uma implementação parecida poderia abrir diretamente o assistente de IA da Nubia sem a necessidade de um segundo leitor biométrico.
Outra possibilidade seria associar uma digital específica a essa função. Em vez de instalar outro sensor, o sistema poderia reconhecer um dedo cadastrado especialmente para abrir a IA, enquanto os demais continuariam responsáveis pelo desbloqueio comum.
A própria Xiaomi já explora uma lógica parecida no Segundo Espaço, recurso que permite manter dois ambientes separados no mesmo celular e acessar cada um por credenciais diferentes, inclusive impressões digitais distintas.
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