Como a IA monitora motoristas e combate roubos de carga no Brasil

Câmeras com inteligência artificial já monitoram motoristas de frota em tempo real no Brasil, detectando fadiga, uso de celular, excesso de velocidade e ausência de cinto, e emitindo alertas automáticos dentro da cabine antes que o comportamento de risco resulte em acidente.

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É o que conta Paulo Buriti, gerente corporativo da Corpvs, empresa especializada em telemetria e monitoramento operacional, em entrevista ao Podcast Canaltech desta sexta-feira (22).

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 90% dos acidentes de trânsito têm relação com falha humana. Para Buriti, os quatro comportamentos de maior risco identificados pelos sistemas de monitoramento são fadiga, uso de celular, excesso de velocidade e condução sem cinto. "O que mais nos surpreende é a pessoa saber que está sendo monitorada e mesmo assim cometer infrações sabendo que a câmera vai detectar", diz ele.

O sistema funciona com inteligência artificial embarcada na própria câmera. Ao identificar uma infração, o equipamento emite um aviso de voz imediato — sem depender de conexão com uma central. A câmera também calcula a distância do veículo à frente e a velocidade atual do caminhão para alertar sobre risco de colisão.

IA contra roubo de cargas

A aplicação da tecnologia vai além da prevenção de acidentes. Sistemas de roteirização com IA já mapeiam pontos de risco com base em histórico de ocorrências para definir por quais trechos e horários os veículos devem evitar determinadas regiões.

Outro recurso citado por Buriti é a contagem automática de ocupantes na cabine. Se um veículo que circulava com apenas o motorista passar a ter dois passageiros, a câmera identifica a mudança e envia alerta imediato à empresa. "A inteligência artificial faz essa contagem e envia um alerta para a empresa", afirma.

O contexto torna a aplicação relevante: o Brasil registrou 10.478 roubos de carga em 2024, com prejuízo estimado em R$ 1,2 bilhão, segundo dados da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC&Logística). No primeiro semestre de 2025, os casos cresceram 24,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com a Nstech.

A telemetria embarcada em caminhões tem origem na Fórmula 1, onde equipes precisavam de dados em tempo real, consumo de combustível, temperatura do motor, desgaste de pneus, transmitidos segundo a segundo. Transportada para frotas comerciais, a tecnologia passou a identificar frenagens bruscas e trocas inadequadas de marcha. "Isso foi avançando até chegarmos na parte de câmeras com inteligência artificial, que é onde nós estamos hoje", diz Buriti.

Sobre os veículos autônomos, ele avalia que a infraestrutura viária é o principal obstáculo no Brasil. Faixas mal sinalizadas e pavimento degradado dificultam a leitura dos sistemas de navegação, somados ao comportamento imprevisível de outros motoristas no trânsito.

🎙️Confira a entrevista completa no Podcast Canaltech:

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