Enquanto o Brasil se prepara para receber mais um Grande Prêmio da Fórmula 1, a próxima geração do automobilismo é desenvolvida com a inteligência artificial (IA) como protagonista e capaz de moldar diferentes cenários do esporte sem sequer colocar os carros nas pistas.
O caminho é traçado com uma nova parceria entre a Amazon Web Services (AWS) e a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), entidade que comanda a F1 e outras modalidades do automobilismo. A AWS vai fornecer tecnologia de dados, IA e computação para simular novos regulamentos e regras para carros no ambiente digital, o que reduz custos com produção de peças.
A empresa também fornece a tecnologia responsável por coletar e interpretar os dados de cada volta durante as corridas da F1. As informações são usadas para municiar a estratégia das equipes e contar histórias para os fãs que acompanham pela TV.
Para entender mais sobre o impacto da IA na principal categoria do automobilismo, o Canaltech conversou com a líder de Gestão de Soluções para Clientes da AWS do Brasil, Fernanda Spinardi. A executiva mostra o panorama da parceria com a FIA e reforça como a Fórmula 1 é um exemplo de sucesso no uso de dados.
Projetando o carro do futuro
A nova parceria entre AWS e FIA permite determinar mudanças no regulamento de todas as categorias do automobilismo de forma digital, sem a necessidade de produzir novas peças somente para os testes. A divisão de nuvem e IA da Amazon tem uma estrutura para comparar os dados de simulações e aplicar inteligência artificial para que as construtores trabalhem em cima dos dados.
Vale reforçar que a regulamentação não implica somente nas regras da corrida nesse caso, mas também nas especificações em que os carros precisam ser desenvolvidos.
Desenhar o carro do futuro é um dos pilares da parceria, segundo Fernanda Spinardi. Para isso, a IA cria simulações aerodinâmicas, consegue prever padrões e identificar cenários.
“Há uma simulação digital que vai testar como é que o fluxo de ar, por exemplo, se relaciona com o desenho aerodinâmico do carro. Depois, pode fazer ajustes nesse desenho aerodinâmico sem a necessidade de produzir a peça física. A cada ajuste, você roda novamente a simulação e isso faz com que você tenha um resultado sem a necessidade de passar pelo pelo processo físico”, explica.
Os insumos também são usados pela FIA para monitorar e fiscalizar se os carros seguem as diretrizes. O potencial da mudança é garantir mudanças mais estáveis de regulamento e até evitar polêmicas da temporada de 2026 da Fórmula 1, no qual a entidade precisou intervir durante o ano para ajustar regras.
“Eles teriam tempo de processar esses cenários, essas simulações e essas informações pré-temporada, fazer o ajuste de regulamento e e ter uma temporada livre de interferências, tão significativas”, destaca a executiva da AWS.
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Carros da F1 coletam “600 filmes por segundo”
A AWS é parceira da Fórmula 1 desde 2018 e tem o trabalho de gerenciar toda a avalanche de dados de telemetria obtidos pelos carros durante as provas. São mais de 300 sensores espalhados entre veículos e pistas para coletar 1,1 milhão de pontos de dados por segundo — uma quantidade de dados equivalente a fazer o streaming de 600 filmes por segundo, revela Fernanda Spinardi.
A F1 é uma modalidade que sempre caminhou junto com telemetria, tempos de volta e outras informações metrificadas. O primeiro trabalho foi importar toda a base de dados de 70 anos de corridas para depois incorporar com os novos insights obtidos nas provas posteriores.
“O exemplo da Fórmula 1 é um caso de muito sucesso porque essa disciplina de tratar a camada de dados já acontece há muitos anos. Hoje, vemos a aceleração da adoção de tecnologia de IA muito por conta dessa disciplina que aconteceu nos anos anteriores”, destaca.
A inteligência artificial entra no processo para analisar os dados e contar a história a partir disso. Durante a corrida, é possível analisar qual é a melhor estratégia para um pit stop ou em qual volta um carro terá a oportunidade de ultrapassar o outro ao manter o ritmo de velocidade.
A possibilidade de prever cenários também alimenta o campo das hipóteses num esporte em que as decisões precisam ser tomadas em pouco segundos e têm consequências por toda a prova. A pergunta “e se o piloto fizesse isso?” ganha outro contexto com o impulso da IA.
“A inteligência artificial para fazer censo desses dados e trabalhar não no olhar histórico do que aconteceu, mas trabalhar também um olhar de predição: o que poderia acontecer no futuro com diferentes decisões nessa corrida. Se o piloto tivesse feito uma curva com um pouco mais de de aderência, quanto tempo eu teria ganho e o que teria acontecido como resultado?”, detalha Fernanda Spinardi.
O fã como parte da corrida
Quem já assistiu a uma transmissão recente da F1 pode notar as diversas inserções de dados e elementos gráficos que reforçam as disputas que ocorrem entre todas as posições.
No GP de Interlagos, disputado no domingo (08) com dois brasileiros no grid, não vai ser diferente.
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Alguns fãs mais apaixonados podem até adotar uma segunda tela para acompanhar os tempos de voltas junto com a corrida, mas a própria transmissão original já reforça algumas das disputas e números mais importantes da prova.
Antes de uma decisão de parar nos boxes, por exemplo, o espectador pode entender qual é a melhor janela ou o tempo necessário para que isso não ameace a posição de um dos pilotos. “Dá a possibilidade de pensar em ser um estrategista de uma equipe de Fórmula 1”, defende Fernanda Spinardi.
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