Como era o melhor PC gamer na última vez que o Brasil ganhou a Copa

A Copa do Mundo de futebol de 2026 chegou e, mais uma vez, a esperança do 6º título invade o coração dos brasileiros. Já se passaram 24 anos desde que o Brasil foi campeão e o mundo naquela época era outro. Em se tratando de tecnologia, mais especificamente PCs, estávamos começando a evolução que levaria para o que temos atualmente.

Em 2002, os computadores usavam monitores de tubo, assim como eram as TVs; a internet, na maior parte do país, era discada e pouquíssimos lugares já tinham banda larga; as lan houses estavam em alta, cheia de PCs rodando o Windows XP ou ainda o W98. Vamos relembrar o que era um PC gamer há pouco mais de duas década.

O PC dos sonhos na época do Penta

Em junho de 2002, quando o Brasil conquistou o pentacampeonato na Coreia do Sul e no Japão, os PC gamers da época tinham a NVIDIA GeForce4 Ti 4600 como a melhor GPU. Vale mencionar um detalhe cronológico importante: a lendária ATI Radeon 9700 Pro, que viraria o jogo com suporte ao DirectX 9 e desempenho superior com filtros AA/AF, só apareceu depois, em agosto de 2002. Além disso, o coração das máquinas gamers de ponta da época era o icônico Intel Pentium 4, e a tecnologia de memória RAM ainda nem era DDR. O vídeo abaixo mostra uma configuração bastante parecida.

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Processador: Pentium 4 Northwood

Para o público entusiasta, o Pentium 4 baseado no núcleo Northwood de 2,53 GHz representava o auge de clocks altos da Intel, trazendo 512 KB de cache L2 e um barramento FSB de 533 MHz. Do outro lado da trincheira, a AMD incomodava fortemente com o respeitado Athlon XP 2100+, um rival importante e conhecido por sua eficiência por ciclo. Mesmo assim, o Pentium 4 daquela época representava o que existia de melhor em termos de CPU.

Placa de vídeo com incríveis 128 MB de VRAM

A GeForce4 Ti 4600 era o equivalente a uma RTX 5090 daquele momento: cara, extremamente desejada, operando em AGP 4x e equipada com impressionantes 128 MB de memória DDR. Embora hoje 128 MB sozinhos não sirvam para nada, em 2002 eram o auge. Essa GPU contava com recursos de ponta como Accuview Antialiasing, Lightspeed Memory Architecture II e nView. Era o motor necessário para rodar com fluidez os títulos mais desejados da época, como The Elder Scrolls III: Morrowind, Star Wars Jedi Knight II, Unreal Tournament, Grand Theft Auto III e Medal of Honor: Allied Assault (grandes clássicos, vale ressaltar).

Apresento-lhes uma placa de vídeo de 2002 (Imagem: Wikipedia/Reprodução)

Memória e placa-mãe: Antes do DDR dominar, havia RDRAM

Antes do padrão DDR dominar o mercado, a Intel apostou na tecnologia Rambus, exigindo módulos RIMM e chips RDRAM (Rambus Dynamic RAM) caríssimas. Para extrair o máximo do processador, a placa-mãe utilizava o chipset Intel 850E. Montar um PC nesse período envolvia um alto nível de entendimento; era necessário instalar pentes em pares idênticos, ou fazer uso de terminadores físicos (CRIMMs) nos slots vazios para fechar o circuito elétrico, muito diferente da facilidade de hoje. Mas, vale ressaltar, o Pentium 4 já suportava memória DDR e podia ser usado em placa-mãe compatível

Armazenamento: SSD da época era um HD de 120 GB com 8 MB de cache

O equivalente espiritual dos SSDs modernos era o Western Digital Caviar WD1200JB. Estamos falando de um HDD de 120 GB com interface ATA-100 e inéditos 8 MB de cache, um componente premium em uma época em que a maioria esmagadora dos computadores ainda utilizava discos de 20 GB, 40 GB ou 80 GB. Se você usa um SSD NVMe e não tem ideia do que é isso, saiba que o boot do PC demorava minutos e o carregamento de jogos era igualmente demorados.

Esse era o Cadillac dos HDDs da época do Penta do Brasil (Imagem: Recycled Goods/Reprodução)

Som, gabinete e periféricos: EAX, caixas 5.1 e o ritual do PC gamer raiz

Enquanto hoje a experiência sonora de um PC gamer é praticamente plug and play, antigamente era um ritual. A placa de som dedicada Creative Sound Blaster Audigy Platinum eX era um grande diferencial para a época, trazendo suporte a EAX Advanced HD, áudio 3D e efeitos processados por hardware que saiam de conjuntos de caixas 5.1.

Já os gabinetes adotavam tons preto, prateado ou cinza, e alguns até ostentavam tampas laterais de acrílico e luzes internas, alimentados por fontes de 350 W a 400 W. Completavam a experiência o clássico drive de CD-RW/DVD-ROM com gavetas barulhentas, teclados robustos da Microsoft e os primeiros mouses ópticos com sua icônica luz vermelha.

Monitor: CRT gigante era luxo

O setup dos sonhos de 2002 precisava ainda de um monitor CRT gigante, item que representava o verdadeiro luxo da época. O topo da cadeia era ocupado pelo lendário Sony GDM-FW900, um monstro widescreen de 24 polegadas com tubo Trinitron que pesava quase 42 kg e custava cerca US$ 2.000. Outra referência excelente para jogos e reprodução de DVDs nos testes da época era o Mitsubishi Diamond Pro 2060u de 22 polegadas. Esses monitores ocupavam mesas inteiras e geravam muito calor, mas entregavam cores impecáveis e tempo de resposta instantâneo que os primeiros painéis LCD levariam anos para igualar.

Transportar esse trambolho era um verdadeiro desafio (Imagem: Yahoo Japan/Reprodução)

O que o “PC gamer do Penta” rodava?

Traduzir essas especificações em experiência prática mostra o abismo que nos separa de 2002. O objetivo de um PC topo de linha da época do Penta do Brasil era jogar com filtros ativados, melhores texturas e resoluções altíssimas como 1024 x 768, 1280 x 1024 ou até 1600 x 1200 pixels em alguns poucos títulos, tudo abaixo de 30 FPS nos jogos mais pesados. E nós reclamamos jogando em 4K e com Ray Tracing hoje em dia.

Conclusão

Em 2002, enquanto a Seleção Brasileira tinha Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e Cafu espalhando magia nos gramados, o PC gamer dos sonhos tinha Pentium 4, GeForce4, RDRAM, HD mecânico e um monitor CRT de 40 kg. Enquanto o Brasil busca o hexacampeonato em 2026, o hardware passou por uma transformação absurda, saltando de 128 MB de VRAM para 32 GB em GPUs, de HDDs barulhentos e lentos para SSDs NVMe super velozes e de tubos gigantes para painéis OLED de altíssima taxa de atualização. Diante de tanta evolução tecnológica, fica a provocação afetiva: talvez esteja na hora de o Brasil atualizar também o seu hardware de títulos mundiais.

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