Como funciona a nova Inteligência Personalizada do Gemini?

O Google lançou, nesta quarta-feira (14), a Inteligência Personalizada, um novo recurso do Gemini que usa dados do Gmail, Google Fotos, Busca e YouTube para gerar respostas mais alinhadas ao contexto de cada usuário. A ferramenta é opcional e está desativada por padrão.

A seguir, tire suas dúvidas sobre:

  • O que é Inteligência Personalizada?
  • Como o recurso funciona?
  • O recurso é seguro?
  • O Gemini vai ler e-mails do Gmail?
  • A Inteligência Personalizada é obrigatória?
  • A ferramenta está disponível para todos?

O que é Inteligência Personalizada?

A Inteligência Personalizada é um recurso do Gemini que aproveita dados dos aplicativos Google conectados à mesma conta, como Gmail e Google Fotos, para entregar respostas mais alinhadas ao seu contexto.

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Com isso, a IA considera as preferências e padrões de uso individuais, deixando de se basear apenas em informações disponíveis na internet.

Um exemplo citado pelo vice-presidente do Gemini, Josh Woodward, ajuda a entender como isso funciona na prática.

Ao trocar os pneus de sua minivan, ele perguntou ao Gemini qual era o tamanho correto. A IA encontrou a informação em e-mails antigos, levou em conta viagens em família identificadas no Google Fotos e, a partir desse contexto, sugeriu opções mais adequadas para uso diário e para todas as condições climáticas.

Como o recurso funciona?

Quando o recurso está ativo, o Gemini usa informações dos apps conectados apenas para atender ao que foi pedido, ou seja, ele consulta apenas o que é necessário no momento para entregar uma resposta. Ele não fica “vasculhando” dados o tempo todo.

Sempre que possível, o Gemini vai indicar de onde vieram as informações usadas na resposta, como um e-mail ou uma foto. Assim, o usuário consegue verificar a origem dos dados. Se algo parecer incorreto, é importante solicitar uma correção ou enviar um feedback, já que o recurso ainda está em fase de testes e depende desse retorno para aprimorar o funcionamento.

Também é possível pedir uma nova resposta sem personalização.

Essa personalização é viabilizada principalmente pelo Gemini 3, a geração mais avançada do modelo até agora. Ele tem uma compreensão mais profunda de nuances e relações complexas, como vínculos familiares, preferências ou padrões de comportamento.

Com isso, a Inteligência Personalizada consegue identificar o objetivo do usuário e buscar informações que façam sentido para aquele pedido específico.

Google Gemini, app aberto no celular
Gemini agora terá Inteligência Personalizada que se conecta ao Gmail, Google Fotos e outros serviços para gerar respostas contextuais. (Imagem: Viviane França/Canaltech)

O recurso é seguro?

O Google afirma que dados sensíveis não são usados para treinar o modelo. Eles são apenas consultados para entregar aquela resposta específica.

Por exemplo, quando o Gemini encontra o número da placa em uma foto, essa informação não é memorizada pelo sistema. O treinamento acontece em outro nível: a IA aprende que, quando alguém pede esse tipo de dado, ela deve saber como e onde procurar, e não qual é a placa do carro daquela pessoa.

Além disso, o Gemini evita fazer suposições sobre temas sensíveis, como saúde. A ferramenta só "fala" sobre esse tipo de informação se o usuário perguntar diretamente.

Todo o processo acontece dentro da infraestrutura do Google, com criptografia e controle total do usuário sobre seus dados.

O Gemini vai ler e-mails do Gmail?

Sim, desde que o usuário autorize a conexão com o Gmail. O mesmo ocorre com outros apps, como o Google Fotos, busca e YouTube.

Esse ponto, porém, não é totalmente novo. O Gemini, quando ainda se chamava Bard, já conseguia se conectar a aplicativos do Google por meio das chamadas extensões. Era possível, por exemplo, pedir à IA para encontrar informações em e-mails ou documentos do Drive.

O que muda agora é o nível de inteligência e integração. Com a Inteligência Personalizada, o Gemini consegue analisar, conectar e raciocinar sobre esses dados de forma proativa e integrada.

Neste caso, o chatbot entende o contexto sem que o usuário precise especificar onde a informação está.

A Inteligência Personalizada é obrigatória?

Não, a Inteligência Personalizada é um recurso opcional e desativado por padrão. O controle está inteiramente nas mãos do usuário, que pode decidir se e quando ativar a funcionalidade.

Além disso, é possível escolher exatamente quais aplicativos serão conectados, usar chats temporários sem personalização ou até gerar respostas sem o uso de dados pessoais.

A ferramenta está disponível para todos?

Ainda não. Neste primeiro momento, a Inteligência Personalizada está disponível apenas nos Estados Unidos para assinantes dos planos Google AI Pro e AI Ultra, em contas pessoais do Google. O recurso pode ser acessado na Web, no Android e no iOS.

O Google afirma que, em breve, será expandido para mais países, para a versão gratuita do aplicativo Gemini e Modo IA da busca.

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