Um dos sinais universais mais claros de trânsito, e que ajuda a evitar acidentes, é o acendimento de uma luzinha vermelha na traseira do carro quando o motorista dá um toque no freio, por mais leve que ele seja. Isso indica ao carro de trás que ele está em vias de parar.
Mas, e nos carros elétricos ou híbridos, que também reduzem a velocidade por meio da frenagem regenerativa, aquela que ocorre apenas ao soltar o pé do acelerador, sem toques no freio. Como o carro de trás sabe que o que vai à frente está próximo de parar?
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A resposta simples e direta, sem enrolações, também é universal: há normas internacionais que obrigam as montadoras a sinalizar a desaceleração quando ela ultrapassa determinado limite. Não entendeu? O CT Auto explica melhor.
O que é a frenagem regenerativa?
Antes de explicar como o carro de trás sabe que um elétrico está freando mesmo sem pisar no pedal, precisamos relembrar, enfim, o que é a frenagem regenerativa.
Quando o motorista tira o pé do acelerador em um carro elétrico, o motor elétrico passa a funcionar como um gerador. Em vez de consumir energia da bateria, ele converte a energia cinética do carro em eletricidade e a devolve ao pacote de baterias. Esse processo é chamado de frenagem regenerativa.
Luz do freio acende com frenagem regenerativa?
Se essa desaceleração for pequena, semelhante ao freio-motor de um carro a combustão, normalmente as luzes de freio permanecem apagadas. O carro apenas perde velocidade gradualmente.
Já quando a regeneração produz uma desaceleração mais intensa, o próprio veículo acende automaticamente as luzes de freio, mesmo sem o motorista tocar no pedal. Isso acontece porque o sistema monitora continuamente a taxa de desaceleração. Quando ela ultrapassa um determinado valor, definido pelas normas de homologação, a central eletrônica entende que os veículos que vêm atrás precisam ser avisados.
Quando a luz de freio acende sem pisar no pedal?
Há limites estabelecidos na configuração dos carros que definem se a luz de freio irá ou não acender com o uso da frenagem regenerativa. Na Europa, por exemplo, essa exigência está prevista no Regulamento UNECE nº 13-H, utilizado como referência por diversos fabricantes globais. De forma simplificada, a regra estabelece que:
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- desaceleração inferior a 0,7 m/s²: não há obrigação de acender a luz de freio;
- desaceleração acima de 1,3 m/s²: as luzes de freio devem acender automaticamente;
- entre esses valores, o fabricante pode definir a estratégia de funcionamento, desde que respeite os requisitos da regulamentação.
E no modo One Pedal?
Nos sistemas de condução com um único pedal, comuns em modelos da Nissan, BMW, Volvo, BYD, GWM, Chevrolet e Tesla, a regeneração pode ser bastante forte, chegando perto da capacidade de frenagem convencional.
Nesses casos, as luzes de freio costumam acender automaticamente assim que a desaceleração ultrapassa o limite estabelecido pela legislação. Para quem está atrás, a percepção é exatamente a mesma de um carro que acionou o pedal de freio.
Existe algum risco de o carro de trás não perceber?
Na prática, não existe qualquer risco de o carro de trás não perceber a desaceleração, mesmo sem o uso do pedal de freio pelo carro que vai adiante. Os carros homologados para circulação precisam obedecer às normas de sinalização luminosa. Se a regeneração desacelera o veículo de forma significativa, as lanternas de freio entram em funcionamento automaticamente.
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Essa integração entre a frenagem regenerativa e o sistema de iluminação é um dos motivos pelos quais a condução com um único pedal é considerada segura e já foi incorporada por praticamente todas as fabricantes de carros elétricos.
Há uma exceção importante
O regulamento também prevê que, abaixo de aproximadamente 10 km/h, as luzes de freio podem deixar de ser acionadas pela regeneração, mesmo que ela continue atuando. Isso ocorre porque, nessa faixa, a desaceleração é pequena e muitos veículos passam a utilizar os freios hidráulicos para parar completamente.
Na prática, cada fabricante define sua estratégia dentro dos limites da norma. A Tesla, por exemplo, acende as luzes sempre que a regeneração produz uma desaceleração significativa, enquanto a BYD faz o mesmo nos modos de regeneração mais intensos. Volvo, BMW, Mercedes-Benz, Hyundai, Kia e GWM seguem lógica semelhante, ajustando o acionamento conforme a intensidade da regeneração e a velocidade do veículo.
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