Como vai funcionar sistema do Claude que dedura quem cria texto com IA?

A Anthropic anunciou que os textos gerados por qualquer modelo do Claude receberão uma marca d’água invisível para indicar uso de IA. A medida vale tanto para arquivos escritos do zero e revisões feitas pela ferramenta.

O marcador não pode ser lido por humanos, apenas por máquinas, e não altera o significado do documento original. Ainda que muitas empresas incluam métodos para confirmar geração de IA, o novo recurso da Anthropic é uma forma de atender ao AI Act, conjunto de leis da União Europeia para regularizar a inteligência artificial no bloco de países. 

Caso você use o Claude para gerar textos, vale a pena entender como o mecanismo vai funcionar. O Canaltech explica os principais detalhes:

  • Como o sistema vai funcionar?

  • Onde a verificação será usada?

  • O que são metadados?

  • Dá para burlar a marcação?

Como o sistema vai funcionar?

O Claude vai inserir uma marca d’água imperceptível dentro do próprio texto. O identificador não pode ser visto por humanos e não muda o resultado gerado pela IA, mas pode ser analisado por softwares ou pela própria IA.

A marca d’água faz parte do texto, então será mantida ao copiar e colar o conteúdo em outro lugar ou até fazer edições leves. Edições mais intensas, prints e conversões de arquivo podem remover a marcação final.

Além disso, todo arquivo gerado pela IA (como uma imagem ou PDF) será acompanhado de metadados no padrão C2PA, usado amplamente pela indústria para detectar uso de IA e outras ferramentas. 

A Anthropic ainda não trouxe detalhes sobre o processo em prática, mas confirmou que o método será usado em qualquer resultado gerado pelos modelos do Claude.

App Claude

 

Onde a verificação será usada?

O sistema será usado em todas as plataformas que usam os modelos da Anthropic, como site e app do Claude, Claude Code, Claude Cowork, APIs e apps de terceiros. 

A medida começou a valer para todos os modelos lançados a partir de 2 de agosto. O último grande lançamento foi o do Claude Sonnet 5, no final de julho, mas as IAs recebem ajustes e atualizações constantemente.

A desenvolvedora confirmou planos para permitir que usuários e apps externos detectem as marcas do Claude.

O que são metadados?

Os metadados são informações usadas para descrever arquivos — como se fosse um dado dentro de outro dado. O processo é feito automaticamente ao salvar um novo documento e não precisa da intervenção do usuário.

Um exemplo mais comum está nas imagens: ao tirar uma foto pelo celular, é possível abrir o arquivo e ver detalhes como a data de captura, localização, tipo de dispositivo usado e configuração da câmera. 

Os metadados são importantes porque preservam detalhes importantes do arquivo em segundo plano, o que ajuda a garantir a autenticidade.

Exemplo metadados

Dá para burlar a marcação?

A própria Anthropic reconhece que o sistema tem algumas limitações. A própria IA afirma que o conteúdo “pode ter sido processado pelo Claude”, ou seja, não dá 100% de certeza sobre a verificação.

A empresa lista dois exemplos em que não é possível comprovar com exatidão: quando o Claude não é o autor original e é usado apenas para corrigir ou revisar; ou quando o conteúdo foi modificado após passar pelo Claude (mesmo que tenha a marca, a IA não consegue acompanhar o que foi ajustado depois).

Há, também, o alerta para “falsos positivos”: o conteúdo sem a marca d’água nem sempre significa que não foi gerado ou processado por IA. A marca pode não ser incluída em textos feitos com modelos antigos, muito curtos ou que passaram por processos intensos de revisão. Tirar print, converter o formato e salvar o arquivo várias vezes também pode comprometer os metadados.

Confira algumas dicas gerais para descobrir se um texto foi gerado por IA.

 

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