Coreia do Sul quer combater números de telefone falsos com reconhecimento facial

Na última sexta-feira (19), o governo da Coreia do Sul anunciou a obrigatoriedade de verificação facial para todas as operadoras telefônicas ao vender novos chips de celular. A medida, revelada pelo Ministério da Ciência e Tecnologias da Informação e Comunicação, vem na esperança de reduzir golpes.

O país asiático sofre com grande quantidade de criminosos registrando contas telefônicas móveis para uso em golpes, especialmente phishing de voz (vishing). O requerimento de autenticação adicional inclui a apresentação de documentos de identidade na hora da venda, o que deve diminuir a quantidade de contas fraudulentas.

Golpes na Coreia do Sul e telefonia

As três principais operadoras sul-coreanas, SK Telecom, LG Uplus e Korea Telecom, providenciam um aplicativo chamado PASS para armazenamento de credenciais digitais. O novo procedimento exigido pelo governo irá guardar informações biométricas no app. Com isso, criar uma conta somente com dados roubados deverá ficar bem mais difícil.

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Dois grandes escândalos de vazamento de dados sacudiram a Coreia do Sul no ano passado, levando à regulamentação do cadastro na hora de comprar chips, ou SIM cards (Imagem: Pexels/Domínio Público)
Dois grandes escândalos de vazamento de dados sacudiram a Coreia do Sul no ano passado, levando à regulamentação do cadastro na hora de comprar chips, ou SIM cards (Imagem: Pexels/Domínio Público)

O país, que conta com 52 milhões de habitantes, sofreu com dois grandes incidentes de roubo de dados, afetando mais da metade de todos os sul-coreanos. A empresa Coupang teve mais de 30 milhões de registros vazados em 2024, levando à demissão do CEO. Já a SK Telecom teve dados de todos os 23 milhões de clientes expostos a cibercriminosos.

A SK Telecom foi multada em mais de R$ 500 milhões por conta de más práticas de segurança da informação, incluindo a exposição de credenciais em texto no lado do servidor online da infraestrutura. Milhões de dados ainda foram guardados sem encriptação, facilitando a clonagem das contas dos consumidores ou permitindo a adição de dispositivos extras às mesmas.

No geral, no incidente custará à empresa R$ 8 bilhões, já que a Comissão de Mediação de Disputas com o Consumidor da Coreia do Sul ordenou a compensação de todos os clientes em ₩100.000 (cerca de R$ 373), a metade em crédito na conta e o restante em pontos a serem usados em lojas.

A culpa pelos golpes, no entanto, não fica inteiramente com a empresa: as operadoras virtuais, que não possuem antenas físicas e terceirizam o sinal com operadoras maiores, foram responsáveis por até 92% dos números falsos detectados no ano passado.

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