Criptografia pós-quântica precisa entrar no radar de empresas, alerta professor

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Os computadores quânticos ainda não fazem, necessariamente, parte do nosso dia a dia. Contudo, diante da ameaça às tecnologias atuais de criptografia, empresas e órgãos públicos precisam reforçar a proteção de seus sistemas.

O alerta foi feito pelo professor da PUC-Rio, Guilherme Temporão, em entrevista ao Canaltech no Rio Innovation Week 2026.

A preocupação está relacionada ao harvest now, decrypt later (“coletar agora, descriptografar depois”, em tradução livre). Nessa prática, agentes maliciosos obtêm informações sensíveis e criptografadas através de ataques para decifrá-las no futuro.

Segundo o professor, esse já é um risco presente, mesmo que o hardware quântico seja incipiente e tenha um custo elevado nos dias atuais.

“As empresas e instituições de governo que lidam com dados sensíveis, como, por exemplo, informações financeiras e de pessoas, têm que começar a se preocupar agora”, pontua.

Acompanhe o Canaltech no Rio Innovation Week:

Guilherme Temporão, professor da PUC-Rio, no Rio Innovatio Week 2026

A migração pode levar anos

Atualmente, já existem formas para se precaver ao cenário do harvest now, decrypt later, além de mitigar brechas de sistemas exploradas em ataques. É o caso da adoção da criptografia pós-quântica, que emprega métodos clássicos desenvolvidos para resistir aos ataques quânticos conhecidos.

O desafio, por outro lado, se concentra na substituição dos sistemas atuais de criptografia. “A migração do RSA e de curvas elípticas, que é o que existe hoje, para o pós-quântico demora anos”, explica.

Na avaliação do pesquisador, organizações que esperarem uma ameaça concreta para iniciar essa transição podem ficar sem tempo suficiente para se adaptar.

“Vai demorar até a empresa conseguir se adequar. É um caminho longo”, conclui.

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