
A criação de versões digitais de indivíduos, com seus padrões de pensamento e opinião, está se tornando uma realidade por meio da tecnologia Deep Reflection. Em entrevista ao podcast Canaltech, Giovanni Laporta, cofundador e pesquisador da Vortice.ai, explicou que a tecnologia brasileira permite criar “reflexos digitais”, IAs treinadas com base no conteúdo de uma única pessoa, como criadores de conteúdo, professores ou artistas.
- Pesquisa revela que a IA é capaz de causar reviravolta no efeito Dunning-Kruger
- Você pode pagar salário para esse robô fazer tarefas domésticas no seu lugar
Essa abordagem difere do caminho seguido pelas big techs, que investem maciçamente na produção de Large Language Models (LLMs), como o ChatGPT ou o Gemini, modelos de dados generativos para propósito geral. Laporta indica que o Deep Reflection segue um caminho inverso ao se concentrar em Small Language Models (SLMs), treinando pequenos modelos que possuem um conhecimento específico para uma determinada situação.
"Ao invés de eu treinar um grande modelo que conhece de tudo no mundo, eu vou treinar pequenos modelos e cada pequeno modelo tem um conhecimento específico," afirmou Giovanni Laporta.
-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-
Foco na especificidade e humanização
A motivação para o desenvolvimento da tecnologia reside na capacidade de lidar com conteúdo extremamente específico. Ao invés de fornecer respostas genéricas, o objetivo é mimetizar a consciência de uma pessoa, capturando o que ela pensa, fala e suas opiniões, e emulando uma consciência digital individualizada.
Laporta detalha que a diferença crucial está na resposta personalizada. "As pessoas hoje em dia elas não querem resposta genérica. Elas querem a resposta de um determinado indivíduo. Como que aquele indivíduo pensa," ele explica.
O Deep Reflection pode ser aplicado a qualquer ramo, sendo atualmente utilizado diretamente por criadores de conteúdo, permitindo que o público interaja com o reflexo digital utilizando as mesmas palavras e jargões do original.
No contexto educacional, por exemplo, o aluno que interage com a IA de um professor específico "vai ter a sensação de que está tendo a aula com aquele professor," pois a IA aprende com texto, áudio, vídeo e imagem, replicando o ritmo e a forma de falar.
O processo de treinamento é considerado rápido, uma vez que a massa de dados de um criador de conteúdo é pequena em comparação aos gigas necessários para uma LLM.
Ao tratar dos riscos, o pesquisador abordou o desafio do uso indevido, como deepfakes e a perda de rastreabilidade de direitos autorais.
Laporta observa que o rápido avanço da IA generativa levanta questões complexas sobre a validade de áudios e vídeos como prova judicial, um desafio que exige que a sociedade se adapte. No entanto, ele ressalta a natureza dual da interação: "A gente [está] aprendendo a utilizar a inteligência artificial, aprendendo a utilizar os prompts e a inteligência artificial está aprendendo conosco".
Para saber mais sobre Deep Reflection, modelos de IA e o futuro da presença digital, ouça o episódio completo do Podcast Canaltech.
Leia também:
- Como a IA afeta o nosso cérebro? Neurocientista explica
- Entenda por que uma IA não pode ser seu psicanalista, nem mesmo uma boa ouvinte
- Fotógrafos que usam IA atingem maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal
Leia a matéria no Canaltech.