Dormir com o celular carregando embaixo do travesseiro pode causar explosão?

Você tem o hábito de dormir com o celular carregando embaixo do travesseiro? Esse costume é mais comum do que parece, mas é importante saber que ele pode ser nocivo ao aparelho e, em situações extremas, aumentar o risco de incêndio ou até de explosão da bateria.

Essa prática pode preocupar os usuários principalmente quando o dispositivo amanhece mais quente do que o normal, um cenário que já indica riscos à segurança. A própria Apple possui um alerta oficial em seus manuais que desaconselha essa prática.

A empresa orienta os usuários a nunca dormirem sobre o celular enquanto ele estiver carregando nem colocá-lo sob cobertores, travesseiros ou encostado ao corpo.

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Em entrevista ao Canaltech, Luis Gustavo da Silva, especialista em desenvolvimento de radiofrequência do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), explica que o perigo relacionado a essa prática é o fenômeno conhecido como "abafamento térmico". Trata-se do aumento da resistência térmica entre o aparelho e o ambiente, dificultando a dissipação do calor.

Celular carregando
Deixar celualr carregando embaixo do travesseiro ou cobertor pode favorecer a ocorrência do que é conhecido como "abafamento térmico" (Imagem gerada pelo Gemini)

O perigo associado ao abafamento térmico

As baterias integradas aos smartphones modernos são compostas por íons de lítio, responsáveis por armazenar e fornecer energia.

Durante o processo de recarga, esses componentes geram calor naturalmente devido às perdas elétricas do próprio carregamento, ao funcionamento do circuito de carga e à conversão interna de energia.

O especialista explica que os celulares foram projetados para dissipar esse calor para o ambiente. No entanto, quando o aparelho é coberto por um travesseiro, cobertor ou qualquer outro tecido que dificulte essa troca de calor, cria-se uma barreira que reduz a dissipação térmica e, consequentemente, eleva a temperatura do dispositivo.

"Esse processo pode desencadear um fenômeno conhecido como thermal runaway, ou fuga térmica, que consiste em um ciclo de retroalimentação: o aumento da temperatura provoca reações químicas que, por sua vez, geram ainda mais calor. Em casos extremos, isso pode levar à combustão ou até à explosão da bateria", ressalta Silva.

O especialista destaca, no entanto, que esse efeito está associado a situações de calor extremo, em que a bateria gera mais calor do que consegue dissipar. Ou seja, a fuga térmica não ocorre apenas porque a bateria aqueceu um pouco durante a recarga.

Desgaste da bateria e fatores agravantes

Ainda que incêndios e explosões dependam da combinação de condições extremas, o hábito de dormir todas as noites com o celular carregando embaixo do travesseiro favorece o desgaste da bateria do aparelho.

"O carregamento contínuo em ambientes abafados acelera o envelhecimento da bateria. Com o tempo, ela perde capacidade de armazenamento de energia e eficiência, além de apresentar maior aquecimento durante o uso. Esse processo reduz gradativamente sua vida útil", alerta Luis Gustavo.

Celular esquentando durante recarga
Aquecimento frequente gerado pelo hábito de carregar celualr embaixo do travesseiro pode acelerar desgaste da bateria (Imagem: Erick Teixeira/Canaltech)

O cenário merece ainda mais atenção quando o aparelho é recarregado por meio de sistemas de carregamento rápido. Isso porque essa tecnologia transfere mais potência ao smartphone e exige um controle térmico mais rigoroso.

O especialista pontua que a combinação desse recurso com fatores como o uso de cabos falsificados, danificados ou até mesmo o acúmulo de sujeira na entrada de carregamento aumenta consideravelmente o risco de problemas.

Sinais de alerta e dicas para carregamento seguro

Antes de atingir temperaturas preocupantes, o smartphone costuma apresentar alguns sinais de superaquecimento. Os sistemas operacionais podem reduzir automaticamente o brilho da tela, diminuir o desempenho para controlar a temperatura e até mesmo pausar o carregamento para proteger a bateria.

Mesmo com esses mecanismos de proteção, os usuários devem ficar atentos a alguns sinais físicos do smartphone.

Caso a tampa traseira fique estufada, haja cheiro de queimado ou o aparelho emita barulhos incomuns, a orientação é desconectá-lo da tomada imediatamente, não tentar continuar a recarga e procurar uma assistência técnica especializada.

Celular carregando
Usuários não devem retomar o carregamento do celular caso identifiquem sinais como cheiro de queimado ou estufamento da bateria (Imagem: Freepik/pvproductions)

Luis Gustavo da Silva dá algumas dicas para evitar que o aparelho chegue a essas condições, com cuidados simples para impedir situações que dificultem a dissipação do calor durante o carregamento.

"O cenário mais seguro é carregar o celular sobre uma superfície plana, limpa e bem ventilada, mantendo-o afastado de materiais combustíveis, como travesseiros, cobertores, colchões, sofás e roupas. Embora ocorrências como incêndios ou explosões sejam raras, elas podem acontecer quando essas recomendações de uso não são respeitadas", ressalta o especialista.

Ainda sobre recarga do dispostivo, você tem dúvidas se o ideal é carregar o celular até 100% ou parar nos 80%? O Canaltech explica o que ajuda a salvar a bateria. 

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