Curitiba deu o primeiro passo para retirar parte da fiação aérea das ruas. A Prefeitura e o BNDES assinaram um protocolo de intenções para estruturar um projeto que prevê o enterramento de até 120 quilômetros de cabos de energia elétrica e telecomunicações na capital paranaense. O custo estimado é de R$ 1,2 bilhão.
A iniciativa será estruturada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). Neste momento, ainda não há obras em andamento: o acordo firmado entre as partes autoriza o desenvolvimento dos estudos de viabilidade e a preparação para uma futura contratação.
A intenção inicial é concentrar a implantação em vias pavimentadas do Centro de Curitiba e regiões próximas, priorizando áreas mais movimentadas, turísticas, históricas, densamente ocupadas ou que apresentem problemas relacionados à resiliência da infraestrutura.
O projeto deverá envolver empresas de energia e telecomunicações, incluindo operadoras de internet por fibra óptica. Também serão avaliadas questões regulatórias relacionadas a órgãos como Anatel e Aneel, já que diferentes empresas e infraestruturas serão afetadas pela mudança.
:quality(85)/adaf0875-42a4-4925-9b7c-699be1045a5c.jpg)
Menos acidentes e apagões
Além de melhorar a aparência da cidade, o enterramento dos cabos tem objetivos de segurança e infraestrutura. Segundo a Prefeitura, a rede subterrânea pode reduzir riscos de acidentes, incêndios e furtos, além de proteger os equipamentos contra eventos climáticos que podem provocar apagões e interrupções nos serviços.
A mudança também deve contribuir para a requalificação da paisagem urbana e da acessibilidade, retirando das ruas a grande quantidade de fios e cabos atualmente instalados nos postes.
Um dos aspectos mais importantes do acordo é que Curitiba pretende utilizar o projeto como uma espécie de laboratório para um futuro marco regulatório nacional sobre o enterramento de fiação. De acordo com o BNDES, a experiência da capital paranaense poderá ajudar a definir regras para iniciativas semelhantes em outras cidades brasileiras.
A estimativa de R$ 1,2 bilhão corresponde ao enterramento dos 120 quilômetros previstos, mas o financiamento deverá depender da estruturação da PPP e da participação de empresas interessadas. Portanto, o valor ainda representa uma estimativa do projeto e não um investimento já contratado.
Se sair do papel, Curitiba poderá se tornar uma das primeiras grandes cidades brasileiras a adotar uma estratégia ampla para substituir a tradicional “teia” de fios nos postes por uma infraestrutura subterrânea, com impactos na segurança, conectividade e paisagem urbana.
{{WHATSAPP_CHANNEL}}