
A partir desta quinta-feira (8), o Instagram não oferece mais criptografia de ponta a ponta (E2EE) nas mensagens diretas (DMs). Com isso, as conversas continuam protegidas contra invasões externas, mas a Meta agora consegue acessar o conteúdo em alguns casos, como investigações, segurança e ordens judiciais.
A seguir, tire suas dúvidas sobre:
- O que é criptografia de ponta a ponta nas DMs?
- O que muda com o fim da criptografia nas DMs?
- Por que o Instagram removeu a criptografia nas DMs?
- O que os usuários devem fazer agora?
O que é criptografia de ponta a ponta nas DMs?
A criptografia de ponta a ponta é um sistema que impede que terceiros leiam uma conversa. Nesse modelo, só quem envia e quem recebe consegue acessar o conteúdo das mensagens. Assim, nem mesmo a empresa responsável pelo aplicativo tem acesso ao que foi enviado, porque não possui as chaves para descriptografar os dados.
-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-
No Instagram, esse recurso nunca foi padrão e precisava ser ativado manualmente em chats específicos.
O que muda com o fim da criptografia nas DMs?
Com a remoção da E2EE, as mensagens passam a usar um modelo de proteção mais comum em serviços online. Elas continuam criptografadas durante o envio, mas agora podem ser armazenadas de forma que a Meta consiga acessar o conteúdo em situações específicas.
Dessa forma, a empresa ganha mais margem para monitorar conversas, aplicar ferramentas de segurança e detectar conteúdos ilegais, como golpes, aliciamento e material de abuso infantil.
Por que o Instagram removeu a criptografia nas DMs?
A Meta afirma que o recurso tinha pouca adesão no Instagram, já que era opcional e muita gente nem sabia que existia. Além disso, a empresa defende que a criptografia de ponta a ponta dificultava o combate a crimes graves, principalmente os ligados à segurança infantil.
Como o Instagram é uma rede social onde é comum receber mensagens de desconhecidos, a Meta também argumenta que precisa de mais ferramentas para monitorar riscos. A decisão ainda acontece em meio a pressões judiciais e regulatórias em vários países, que cobram mais fiscalização nas plataformas.
A decisão também veio após um processo de grande impacto no Novo México, nos EUA. A Meta foi condenada por um júri a pagar US$ 375 milhões, sob alegação de ter vendido uma falsa sensação de segurança aos usuários.
Documentos do processo também indicam que a resistência interna não era recente. Desde 2019, a chefe de política de conteúdos da Meta, Monica Bickert, já se colocava contra a criptografia nas DMs, chamando a ideia de “irresponsável” e alertando que o recurso poderia servir como “escudo” para criminosos e terroristas, dificultando investigações.
A mudança faz o Instagram ficar mais alinhado ao TikTok, que também não oferece esse tipo de proteção nas mensagens privadas. Além disso, a decisão foi elogiada por grupos de proteção infantil, mas criticada por entidades de privacidade, como a Big Brother Watch, que chamou a mudança de retrocesso.
O que os usuários devem fazer agora?
A Meta notificou os usuários com instruções para baixar e salvar conversas antigas que queiram manter arquivadas antes que a transição seja concluída. Quem usa versões antigas do Instagram pode precisar atualizar o app antes de fazer o download do histórico.
Se você considera a privacidade uma prioridade, a própria Meta recomenda transferir as conversas para o WhatsApp, que segue com criptografia de ponta a ponta ativada por padrão.
Se você gostou do conteúdo, talvez também se interesse por saber como tirar o visto da DM do Instagram.
Leia a matéria no Canaltech.