O modelo de inteligência artificial GPT-6 Astra conseguiu decifrar uma mensagem de rádio alemã da Primeira Guerra Mundial que permanecia sem solução há 108 anos. A transmissão ocorreu em 27 de novembro de 1918 e usava o sistema de criptografia ADFGVX, considerado um dos métodos mais complexos empregados durante o conflito.
A descoberta foi realizada e publicada pelo autor do blog Prinz, que utilizou o GPT-6 Astra para analisar mensagens não resolvidas da Primeira Guerra Mundial e compartilhou o resultado como demonstração das capacidades analíticas do modelo.
Embora especialistas em criptografia tenham decodificado centenas de mensagens semelhantes ao longo das décadas, esse fragmento específico resistiu às tentativas anteriores. A solução veio com a identificação da palavra-chave “TRUPPENVERSCHIEBUNG”, expressão alemã que significa “movimentação de tropas”.
A cifra ADFGVX usa uma grade de 6x6 e seis letras — A, D, F, G, V e X — como coordenadas. Cada símbolo do texto original é convertido em um par dessas letras. Depois, a mensagem passa por uma etapa de transposição que reorganiza os caracteres de acordo com uma palavra-chave.
No caso analisado pelo GPT-6 Astra, a mensagem tinha 170 caracteres distribuídos em 19 colunas. Para chegar ao resultado, o modelo aplicou a palavra-chave e reorganizou suas letras em ordem alfabética, permitindo recuperar a sequência original da mensagem.
A mensagem cifrada fazia parte da conhecida lista das 50 mensagens cifradas não solucionadas do portal Scienceblogs.de, mantida pelo pesquisador Klaus Schmeh, a qual reúne outros enigmas, como o Manuscrito Voynich e os criptogramas do Assassino do Zodíaco.
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O que dizia a mensagem decifrada?
O texto recuperado descreve a movimentação de navios aliados no Mar Negro após o armistício. A mensagem em alemão dizia:
“EIN ENGLISCHER KREUZER EINLIEG X SEWASTOPOL X S4STEN X EIN GESCHWADER DER X ALLIIERTEN FOLGT 26STEN X”
Em tradução, o conteúdo informa que um cruzador inglês chegou a Sebastopol no dia 24 e um esquadrão aliado seguiria no dia 26.
A informação também foi relacionada a registros navais britânicos. Os documentos indicam que o HMS Canterbury chegou a Sebastopol em 24 de novembro de 1918, seguido por uma frota aliada dois dias depois.
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Por que a mensagem ficou sem solução por tanto tempo?
O principal obstáculo estava em uma aparente incompatibilidade entre a data da mensagem e os registros sobre as chaves usadas pelo Exército alemão. Estudos históricos, incluindo pesquisas de J. Rives Childs, indicavam que a palavra-chave TRUPPENVERSCHIEBUNG só deveria entrar em uso oficial a partir de 9 de dezembro de 1918.
O problema é que a mensagem foi transmitida em 27 de novembro, quase duas semanas antes dessa data. Por isso, pesquisadores que tentaram solucionar o código descartavam essa chave como possibilidade para aquele momento.
O motivo pelo qual os operadores alemães teriam utilizado a palavra-chave antes da data registrada continua desconhecido. A solução encontrada pelo GPT-6 Astra partiu justamente da possibilidade de testar uma hipótese que não seguia a cronologia estabelecida nos registros.
Ao encontrar a combinação correta entre a chave, a estrutura da cifra e a mensagem interceptada, a IA conseguiu recuperar o conteúdo original de uma comunicação que permanecia indecifrada desde 1918.
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