Gramado Summit: como a Arena Geek transformou nostalgia em estratégia

Quem circula pelo Serra Park durante a Gramado Summit 2026 percebe que a barreira entre o "terno" e a "camiseta de herói" finalmente caiu. O símbolo dessa união é o R2-D2, famoso robô da franquia Star Wars, que circula pelo evento gerando uma conexão que, para o curador da Arena Geek, Rodrigo Selback, é puramente emocional. 

"Ele é um robô que não se comunica com uma linguagem vocal como a nossa, mas parece que todo mundo entende. Ele gera essa conexão que às vezes é bem emocional com uma história ou outra", explicou Selback em entrevista exclusiva ao Canaltech.

A Arena Geek deste ano não é apenas um espaço de entretenimento, mas um polo de negócios que reflete um mercado criativo. 

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Com um design vibrante, lúdico e dominado por referências ao Pac-Man, o espaço serviu de palco para discussões sobre como o "geeksês" se traduz em lucro. Selback destaca que a grande sacada é falar sobre cultura e tecnologia com quem ainda não é do meio. 

"Nossa preocupação maior sempre é como é que a gente fala sobre cultura geek com pessoas que não são geeks. Quando a gente fala sobre consumo, sobre dinheiro, a gente fala sobre Geek Money", disse.

r2d2 no evento
R2-D2 circulando no evento (Imagem: Anaísa Catucci/Canaltech)

Onde fandom e mercado se conectam

Um dos momentos mais emblemáticos desta edição foi a "invasão" do palco principal da Gramado Summit por nomes poderosos do universo nerd, algo inédito nas edições anteriores. 

"Pela primeira vez a gente levou dois nomes nerds muito poderosos para o palco principal, o que a gente até então não tinha conseguido: mostrar para a comunidade o poder do negócio por trás do mundo nerd", celebrou o curador. Essa expansão demonstra que o setor deixou de ser um nicho isolado para se tornar um pilar de inovação.

A programação foi densa e focada na "economia da paixão". No primeiro dia, o destaque foi a produção audiovisual nacional com o filme "Cinco Tipos de Medo". 

Já no segundo dia, a presença da Sato Company trouxe a bagagem de quem apresentou os heróis japoneses ao Brasil nos anos 80 e 90, conectando o licenciamento clássico ao streaming moderno. 

Para fechar com chave de ouro, a arena foi escolhida para a estreia nacional do trailer do filme "Nightlovers", nova comédia romântica da produtora Movioca, estrelada por Nanda Marques e Leo Bittencourt, e voltada ao universo gamer e dos influenciadores digitais.

Selback reforça que essa fidelidade do público é o sonho de qualquer marca. "O geek não compra um produto, ele traz a marca para a vida toda. Star Wars e Naruto são coisas que a gente consome a vida inteira. Aquilo se incorpora tão forte que começa a fazer parte da nossa vida".

Apesar do brilho das telas e dos colecionáveis, o debate também encarou os "chefões" do mercado real. Alinhado ao manifesto "Make it Human", Selback pontuou que a criatividade humana é o que sustenta as comunidades e a identificação entre os fãs, mas admitiu que o caminho para o empreendedor ainda tem obstáculos. 

"Ainda temos o desafio do investidor, que é grande, além da busca por mão de obra especializada", comentou, reforçando que o mercado tradicional ainda está aprendendo a ler as métricas de valor desse ecossistema. No fim, a Arena Geek provou que investir no "lado nerd" é, na verdade, investir no futuro do consumo.

palco geek
Palco Geek na Gramado Summit 2026 (Imagem: Elisa Fontes/Canaltech)

Criatividade humana ainda é diferencial

A inteligência artificial acelerou padrões criativos que já existiam, mas tornou ainda mais evidente a diferença entre quem depende da ferramenta e quem traz uma ideia original para o processo. Esse foi o ponto central debatido em um dos painéis do Palco Geek, "A crise da criatividade: estilo e identidade na era da IA", com Luiz Carlos Gomes, head de Direito Digital da Rossi, Maffini & Milman Advogados, Fabio Haag, type designer e fundador da Fabio Haag Type e a criadora de conteúdo Ali Silveira.

Para Fabio Haag, a IA não criou a crise, mas a evidenciou. "Ela acelerou e vai deixar bem evidente que, se a gente não tiver uma ideia diferenciada, se a gente realmente não for se debruçar sobre problemas e fazer as perguntas certas, se a gente for depender só da ferramenta, a média geral subiu e isso, definitivamente, não é mais diferencial", disse o designer. 

Ali Silveira defendeu que a crise é real para quem delegou tudo à IA, mas pode ser uma revolução para quem nunca se considerou criativo. Ela relatou um caso em que automatizar a transcrição e organização de entrevistas liberou 45 dias úteis de trabalho para uma equipe — tempo que foi reinvestido em conversas de qualidade e soluções criativas. "A gente conseguia fazer a crítica do resultado que vinha e ir calibrando", explicou. 

Para ela, o caminho está em dominar o processo antes de terceirizá-lo e quem não entender como a ferramenta funciona não vai conseguir avaliar o que ela entrega.

Sobre a Gramado Summit

A cidade de Gramado, na Serra Gaúcha, sedia até a sexta-feira a nona edição da Gramado Summit. O evento, que ocorre no centro de feiras Serra Park e reúne mais de 500 empresas expositoras, discute as fronteiras da inovação sob o manifesto "Make it Human". A conferência busca valorizar as características intrinsecamente humanas como contraponto ao avanço acelerado da IA no mercado corporativo.

A programação traz mais de 350 nomes, como Ana Paula Renault, Luiza Trajano, Marcos Piangers, Maria Homem e Sergio Sacani. 

O Canaltech marca presença nesta edição como media partner oficial, atuando na cobertura completa, mediação de painéis e na análise técnica das principais tendências apresentadas nas arenas de inovação. Confira como foi a abertura do evento e saiba os principais insights sobre a Creator Economy na Gramado Summit 2026

*Com colaboração de Elisa Fontes

Leia a matéria no Canaltech.