Greve da Samsung deve piorar a atual crise de hardware

A Samsung é uma das maiores fabricantes de DRAM do mundo, componente que é alvo de escassez atualmente por conta da demanda estratosférica de data centers de IA. Uma possível greve pelos trabalhadores sul-coreanos, que pode acontecer em breve e durar semanas, tem potencial para complicar ainda mais a situação pelo qual passa a indústria de hardware.

Segundo a Reuters, a conversa mais recente entre trabalhadores, a empresa e até o governo da Coreia do Sul não chegou a uma solução. Se até o dia 21 de maio o impasse continuar, os milhares de funcionários da maior empresa do país começarão um período de greve de 18 dias.

Trabalhadores da Samsung querem bônus iguais aos da rival SK hynix

Estamos falando de mais de 70% da força de trabalho da Samsung na Coreia do Sul, o que dá cerca de 50 mil trabalhadores, algo que equivale à população de inúmeras cidades pequenas pelo mundo. O prejuízo estimado para a gigante sul-coreana é de cerca de US$ 700 milhões por dia, fora o impacto na produção da empresa.

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DRAM equipa memória RAM, HBM, GDDR, entre outras tecnologias (Imagem: Samsung/Reprodução)

O motivo? Pagamento de bônus insuficiente comparado à maior rival da Samsung, a também sul-coreana SK hynix. Segundo informações, ela tem repassado os lucros que estão vindo da IA para seus funcionários, com ganhos de 3.000% sobre o salário base, tamanho é o lucro da empresa nos últimos anos.

Vendo a rival fazer isso, não é de se estranhar que os colaboradores da Samsung queiram o mesmo, já que ela também tem lucrado mais. A empresa teria oferecido somente 50% de bônus, valor muito aquém do que a rival está fazendo. A reportagem da Reuters diz ainda que não deve existir outra conversa entre os envolvidos antes de a greve começar.

E isso é muito perigoso para a indústria como um todo. Considerando que a Samsung é uma das três maiores fabricantes de chips de memória (DRAM) do mundo, grande parte da produção será afetada. Isso implica em menos disponibilidade para as marcas, e se a quantidade feita hoje já vai quase toda para data centers, imagine então uma produção reduzida.

A solução seria novas players nesse mercado de memória, algo que tem começado a acontecer com empresas vindas da China.

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