IA eleva o risco de cair em golpe por telefone, alerta Serasa Experian

Golpes por telefone continuam relevantes no Brasil e podem ficar mais difíceis de identificar com o uso de inteligência artificial. O alerta foi feito pelo diretor de Identidade, Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, Rodrigo Sanchez, durante o anúncio da pesquisa Mapa da Fraude nesta quinta-feira (18).

O comportamento dos consumidores mudou nos últimos anos, com maior resistência a atender chamadas de números desconhecidos, segundo o executivo. Ainda assim, as ligações seguem como um canal de risco para fraudes.

A IA permite criar abordagens mais convincentes em chamadas falsas. Isso inclui atendimentos eletrônicos com aparência ainda mais profissional, criando mais desafios para distinguir uma ligação legítima e uma tentativa de golpe.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

“O uso de inteligência artificial faz com que, de alguma maneira, esses fraudadores consigam criar mecânicas muito mais consistentes dessa tentativa de fraude”, disse o executivo.

Na prática, criminosos podem simular centrais de atendimento para dar credibilidade à abordagem. Esse tipo de ação se enquadra em engenharia social, técnica usada para manipular pessoas a entregar dados, fazer transferências bancárias ou liberar acessos.

Sanchez também citou o risco de abordagens em que o golpista já chega com informações reais sobre a vítima, como nome, compras recentes ou outros dados pessoais. Isso pode ocorrer quando criminosos têm acesso a informações internas ou obtidas em redes paralelas.

Para reduzir o risco, a recomendação é desconfiar de ligações que peçam dados pessoais, senhas ou movimentações financeiras. Nesses casos, a orientação é desligar e procurar os canais oficiais da empresa para confirmar se o contato é verdadeiro.

IA e fraude como serviço

Durante a coletiva, o vice-presidente de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, Eric Dhaese, também afirmou que a inteligência artificial atua como uma “grande multiplicadora” para os golpistas, com capacidade de aumentar a escala e o realismo dos golpes digitais.

“Fala-se muito sobre IA generativa, tornando os golpes mais personalizados, mais convincentes, e deepfakes em escala e cada vez mais reais, inclusive envolvendo figuras públicas ou mesmo a imprensa”, explica.

Outra tendência apontada por Dhaese é a fraude como serviço, ou “Fraud as a Service”. Nesse modelo, criminosos vendem kits, scripts e formas de explorar brechas, a fim de facilitar a reprodução de golpes por outros fraudadores.

O executivo também chamou atenção para as identidades sintéticas.

“Criminosos conseguem, hoje, misturar informações verdadeiras com informações falsas, criando essas identidades sintéticas que pressionam as ferramentas de prevenção à fraude, porque elas são cada vez mais reais”, pontua. “O apoio da IA faz com que isso se torne ainda mais escalável.”

Mapa da Fraude

O alerta foi feito durante a apresentação do Mapa da Fraude. O levantamento da Serasa Experian aponta que tentativas de fraude com identidade digital poderiam causar até R$ 1,98 bilhão em prejuízos no primeiro trimestre de 2026, caso não fossem bloqueadas.

Ao todo, a companhia identificou quase 1,5 milhão de tentativas em cadastros e validações de identidade entre janeiro e março. O volume representa alta de 36,6% em relação ao mesmo período de 2025 e equivale a cerca de uma tentativa a cada cinco segundos.

A pesquisa também identificou 19,7 milhões de mensagens associadas a golpes no período, média de 152 envios por minuto. Além disso, foram mapeados mais de 10 mil anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos, alta de 8,3% na comparação anual.

Leia a matéria no Canaltech.