
O avanço da automação industrial revela um cenário de disparidade entre o Brasil e as potências tecnológicas globais. Enquanto países asiáticos lideram a implementação de manufatura avançada, o parque industrial brasileiro ainda engatinha na densidade robótica. Em entrevista ao Podcast Canaltech, Ismael Secco, coordenador do Instituto SENAI de Sistemas de Manufatura, apresentou dados que dimensionam essa lacuna: enquanto a Coreia do Sul opera com cerca de mil robôs para cada 10 mil trabalhadores, o Brasil registra uma média de “não mais que sete robôs para cada 1 mil trabalhadores”.
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Apesar da defasagem numérica, o especialista aponta que a Indústria 4.0 no país não se resume apenas à aquisição de maquinário, mas à capacidade de processar informações para a tomada de decisão. O conceito envolve a coleta de dados operacionais e a aplicação de inteligência para prever falhas e otimizar processos.
Secco alerta que a inovação deixou de ser opcional. “A inovação não é mais uma coisa que pode se escolher por entrar ou não. A inovação por si só, ela tem que ser um pilar muito estratégico das indústrias”, afirma. Atualmente, setores como o agronegócio, mineração e exploração de petróleo lideram a adoção dessas tecnologias devido à necessidade de reduzir riscos operacionais e aumentar a eficiência em trabalhos manuais.
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A curiosidade como ferramenta de sobrevivência profissional
O temor da substituição da mão de obra humana por agentes físicos ou inteligência artificial é uma constante no debate sobre o futuro do trabalho. Para o coordenador do SENAI, a tecnologia substituirá profissionais que não buscarem a requalificação.
“Se você não fizer nada para entender como funciona, ela vai tirar o teu emprego”, pontua Secco.
Neste contexto, as competências comportamentais (soft skills) ganham relevância sobre as técnicas. O especialista destaca que a "curiosidade" se tornou um ativo fundamental, superando o domínio técnico imediato que pode ser automatizado.
“Uma vez que você é curioso, que você entende ou tem desejo de entender como funciona aquela tecnologia [...] você vai aprender a trabalhar, a operar, conhecer mais ela e quebrar uma série de paradigmas”, explica.
A recomendação para as novas gerações é utilizar a tecnologia como ferramenta para potencializar resultados, mantendo o raciocínio crítico e a interação humana como diferenciais competitivos.
Para compreender em profundidade o panorama da robótica nacional e as estratégias para adaptação na Indústria 4.0, ouça o episódio completo do Podcast Canaltech. Siga o Podcast Canaltech nas suas plataformas de áudio preferidas para acompanhar as transformações do mercado de tecnologia.
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