O Itaú anunciou nesta segunda-feira (26) um acordo para comprar a NeoSpace, startup brasileira especializada em inteligência artificial (IA), por R$ 2,925 bilhões. A aquisição envolve 100% das ações da empresa, que já desenvolve tecnologias utilizadas pelo banco em operações de crédito, atendimento e prevenção a fraudes.
A negociação ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e pelo Banco Central. Segundo informações divulgadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Itaú pagará uma parcela no fechamento da operação, enquanto o restante será distribuído ao longo de cinco anos.
As empresas trabalham juntas há quase dois anos. Nesse período, desenvolveram ferramentas de IA generativa para analisar informações financeiras, identificar padrões e auxiliar diferentes operações bancárias.
O que muda para os clientes do Itaú?
A aquisição deve ampliar o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial utilizadas pelo banco, inclusive no aplicativo e nos sistemas internos.
Entre as possibilidades apresentadas pelo Itaú estão melhorias na análise de crédito, identificação de fraudes e personalização do atendimento.
No caso do crédito, por exemplo, modelos de IA podem analisar diferentes informações financeiras para auxiliar a instituição na avaliação de riscos e na definição de ofertas para cada perfil de cliente.
O banco também pretende aprimorar o ia.i, sua plataforma de inteligência artificial generativa, com recursos voltados ao planejamento financeiro e à interpretação das necessidades dos usuários.
Entretanto, o Itaú ainda não informou quando essas funcionalidades estarão disponíveis ou se haverá mudanças imediatas nos serviços utilizados pelos correntistas.
A empresa também não detalhou, no anúncio, quais informações dos clientes serão utilizadas nos novos modelos de IA ou como serão tratadas especificamente durante o treinamento. O comunicado afirma que o desenvolvimento seguirá princípios de segurança, privacidade e uso responsável de dados.
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O que é a NeoSpace, comprada pelo Itaú?
Fundada em 2023, a NeoSpace desenvolve modelos de inteligência artificial chamados de fundacionais, capazes de identificar relações e padrões em grandes quantidades de dados.
Diferentemente de ferramentas de IA voltadas ao público geral, como ChatGPT e Gemini, a tecnologia da startup é desenvolvida para aplicações especializadas, incluindo o setor financeiro.
Na análise de fraudes, por exemplo, esses modelos podem auxiliar na identificação de comportamentos incomuns em transações. Já no atendimento, podem ser utilizados para interpretar solicitações e fornecer respostas de acordo com o contexto de cada cliente.
Segundo a Bloomberg, o Itaú já havia liderado uma rodada de investimentos de US$ 18 milhões na NeoSpace no início de 2025.
A nova negociação prevê que a startup continue operando de maneira independente, com a manutenção de seus funcionários e das atividades de pesquisa e desenvolvimento.
Bruno Pierobon permanecerá como CEO da NeoSpace após a conclusão da aquisição.
A compra faz parte dos investimentos do Itaú em tecnologias próprias de inteligência artificial, em um momento em que bancos e fintechs ampliam o uso desses sistemas para automatizar processos, avaliar riscos e personalizar serviços financeiros.
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