Jogar videogame pode ajudar crianças a aumentarem QI, aponta pesquisa

Um estudo internacional publicado na revista científica Scientific Reports, da Nature, analisou 10 mil crianças nos Estados Unidos e revelou que jogar videogame pode ajudar a desenvolver o QI na infância. Acompanhando os infantes por dois anos, a pesquisa também avaliou o impacto de tempo de tela e de redes sociais nos pequenos.

Isso contraria a crença comum de que os videogames atrapalhariam o desenvolvimento cognitivo nos primeiros anos de vida, mas é preciso investigar mais: os cientistas apontaram que o ganho de QI é pequeno, apesar de positivo, e ainda é difícil apontar causa e efeito diretamente e de maneira certa.

Games vs redes sociais

Para o levantamento do desenvolvimento infantil frente aos games, os pesquisadores usaram dados do ABCD Study, projeto de acompanhamento de crianças realizado nos Estados Unidos por anos.

-
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
-

O aumento no QI das crianças que relataram passar mais tempo jogando do que a média da idade foi de 2,5 pontos em dois anos (Imagem: Unsplash/Kelly Sikkema)
O aumento no QI das crianças que relataram passar mais tempo jogando do que a média da idade foi de 2,5 pontos em dois anos (Imagem: Unsplash/Kelly Sikkema)

Os infantes foram observados desde os 9 a 10 anos de idade, relatando gastar aproximadamente duas horas e meia do dia vendo TV ou vídeos na internet, uma hora jogando e meia hora em redes sociais, em média.

Mais de 5 mil voluntários foram acompanhados dois anos depois: segundo os dados, os que jogavam mais videogame mostraram um aumento no QI de aproximadamente 2,5 pontos em relação à média esperada para a idade. Os testes de coeficiente de inteligência avaliaram habilidades de compreensão de leitura, flexibilidade cognitiva, autocontrole, memória e processamento visuoespacial.

O estudo também controlou fatores como contexto socioeconômico e predisposição genética, evitando que esses elementos impactassem o resultado e resultassem em vieses comuns nas pesquisas acerca do desenvolvimento cognitivo. O consumo de televisão e redes sociais, também avaliado, não impactou a inteligência das crianças — nem positivamente e nem negativamente.

Vale apontar, no entanto, que a pesquisa não diferenciou o tipo de jogo que as crianças consumiram e não avaliou outros efeitos do uso de telas, como impactos no sono, bem-estar emocional, desempenho escolar ou práticas de exercícios físicos.

Isso será investigado no futuro, segundo expectativas dos cientistas envolvidos, bem como a relação entre os estímulos digitais e o desenvolvimento cerebral dos infantes.

Leia a matéria no Canaltech.