Jogos digitais podem gerar 40% mais lucros do que discos

Uma análise recém-divulgada aponta que estúdios obtêm uma arrecadação 40% maior a cada jogo vendido no formato digital. Os números mostram que a Sony Interactive Entertainment e outros querem o dinheiro “perdido” na produção de discos.

De acordo com o CEO da KantanGames Inc., Serkan Toto, cerca de 35% dos gastos por mídia física são com fabricação, envio e margem para os lojistas — isso em estúdios first-party. Os demais têm custos maiores, já que envolvem as tarifas de licenciamento pagas para a Sony, Microsoft e Nintendo.

Em outras palavras, um jogo de US$ 70 terá um custo de cerca de US$ 35 para os third-parties — o que permite levar os outros US$ 35 como arrecadação. Já o digital, é cobrada a taxa de “apenas” 30% das plataformas e perderia somente US$ 21. No fim, eles recebem US$ 49 neste formato. 

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Por outro lado, um estúdio first-party sequer precisa pagar a tarifa para as plataformas digitais, já que pertence à Sony, Microsoft ou Nintendo — o que permite levar os US$ 70 diretamente para a sua conta. Na prática, faz mais sentido para eles apostarem no formato que permite um retorno maior ou até total.

Quando se discutem unidades, US$ 14 de diferença pode não parecer um número tão expressivo. Agora, quando se multiplica este número por milhões ou dezenas de milhões de vendas, é compreensível a razão pela qual estúdios e grandes fabricantes visam o fim da produção de discos.

Imagem do Pile of Shame
Os custos de produção e envio de discos não atrai mais quem cria jogos (Imagem: Diego Corumba/Canaltech)

O lucro da mídia digital

A longo prazo, a decisão da Sony pode favorecer ainda mais a sua forma de fazer negócios — assim como centralizar toda a quantia bilionária que essa indústria arrecada. Afinal de contas, os 30% que eles ganham a cada título são maiores do que a porcentagem do licenciamento das mídias físicas.

Serkan Toto aponta que, deste modo, largar o formato pode ser a decisão mais visada para não ter que dividir todo o dinheiro com a cadeia de distribuição.

“De uma perspectiva puramente financeira, Sony, Microsoft e Nintendo são incentivadas a evitar os discos, tanto em termos relativos quanto absolutos”, afirma o analista.

Deve-se lembrar que GTA 6 chegará por US$ 80, algo que tem um grande potencial de ser replicado pelas demais em um futuro próximo. Logo, com um lucro ainda maior em vista, era óbvio que este tema seria debatido de algum modo.

Se levar em conta que ainda existem países com maiores taxas, políticas e exigências diferentes para cada plataforma e outros fatores que podem ser acrescentados aos números, esta ciência é apontada por Toto como “não precisa”. Na prática, podem ser gastos ainda maiores para cada estúdio.

O PlayStation e o fim dos discos

Ainda que o encerramento da produção de mídia física tenha partido da Sony para os jogos PlayStation, o XBOX não está tão distante desta movimentação. Rumores já indicam que a companhia pretende eliminar a necessidade deste formato no seu próximo console de mesa.

Imagem do XBOX
O XBOX Helix pode chegar sem leitor de discos e compatível apenas com o formato digital (Imagem: Divulgação/Microsoft)

Porém, isso gerou fortes reações nas redes sociais. A comunidade reclama de problemas como os preços dinâmicos, o monopólio destas plataformas e até mesmo o fim do mercado de seminovos — que podem ser vendidos ou emprestados, o que gera uma sobrevida a todo esse ecossistema. 

Além disso, há uma forte posição contra as vendas ocorrerem exclusivamente na PlayStation Store. Somado à constante instabilidade da plataforma, um tipo específico de golpe ocorre há meses e a Sony Interactive Entertainment não o corrigiu. Ou seja, os riscos ainda são temidos pelo público. 

Com o fim da mídia física no PlayStation, o que muda para você? Entenda o caso e veja como o impacto pode ecoar por todo o mercado. 

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