Marca que abriu caminho para carros chineses no Brasil se afunda na crise

Uma marca que ajudou a abrir as portas do mercado brasileiro para BYD, GWM e outras marcas de carros chineses voltou a enfrentar uma grave crise financeira. A JAC Motors pediu uma nova recuperação judicial no país, com uma dívida de R$ 239,5 milhões, pouco mais de um ano depois do encerramento de seu primeiro processo.

O pedido foi feito pelo Grupo SHC, comandado pelo empresário Sergio Habib, e envolve 44 empresas ligadas à operação. A situação acontece em meio a uma forte queda nas vendas e à redução da presença da marca no mercado brasileiro, que passou a concentrar seus esforços em poucos modelos e em uma operação mais enxuta.

Loja JAC Motors

A JAC chegou ao Brasil em 2011 e ajudou a antecipar a chegada de outras fabricantes chinesas ao mercado nacional. O cenário, porém, mudou completamente nos últimos anos, com a chegada de concorrentes como BYD e GWM e uma disputa cada vez mais acirrada por espaço.

JAC Motors enfrenta sua segunda recuperação judicial

Esta é a segunda recuperação judicial enfrentada pelo Grupo SHC. A primeira começou em 2018, quando o passivo ultrapassava R$ 517 milhões, e o processo só foi encerrado em maio de 2025. Cerca de um ano e cinco meses depois, o grupo voltou à Justiça para tentar reorganizar suas obrigações financeiras. 

JAC Motors Sergio Habib

Dos R$ 239,5 milhões submetidos à recuperação judicial, aproximadamente 97% correspondem a dívidas com bancos e fundos de crédito. Existem ainda R$ 130,7 milhões em débitos que não estão sujeitos ao processo, levando o passivo total para perto de R$ 370 milhões. As dívidas trabalhistas representam cerca de R$ 2,7 milhões.

Vendas despencam e marca reduz operação no Brasil

A crise financeira ocorre em paralelo a uma forte retração comercial. Em 2025, a JAC Motors registrou apenas 988 veículos leves emplacados, queda de 51,1% em comparação com as 2.022 unidades de 2024. Entre janeiro e setembro de 2026, foram somente 373 unidades. 

JAC E-JS3

A retração também levou ao fechamento de concessionárias. A marca mantém atualmente três pontos físicos no país, em São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além de 142 oficinas credenciadas. A estratégia passou a priorizar as picapes e as vendas digitais, com a Hunter a diesel como principal aposta. O portfólio também ficou menor, com a saída de modelos como E-JS4 e E-J7 e futuro incerto para o "pequeno e invocado" E-JS1.

Vale lembrar que a JAC chegou a trazer algumas unidades do E-JS3 para o Brasil, com a promessa de lançar o elétrico no mercado para disputar espaço com o BYD Dolphin, mas acabou desistindo da ideia e culpando a BYD pelo passo atrás. 

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