Mesmo com criptografia, WhatsApp teria acesso às suas mensagens

O WhatsApp poderia acessar mensagens privadas do usuário mesmo com criptografia de ponta a ponta. É isso que um processo judicial contra a plataforma alega.

Aberto em um tribunal distrital em São Francisco, nos Estados Unidos, o processo é movido por um grupo de usuários localizados na Austrália, México e África do Sul. A ação consiste na acusação de que a criptografia de ponta a ponta do WhatsApp seria uma “farsa” e ainda exige uma indenização.

Em resposta, a Meta chamou as alegações de “falsas e absurdas” e avalia a possibilidade de entrar com uma reconvenção na justiça.

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“Qualquer alegação de que mensagens do WhatsApp não são criptografadas é categoricamente falsa e absurda. O WhatsApp utiliza a criptografia de ponta a ponta com o protocolo Signal há uma década. Este processo é uma invenção frívola, e buscaremos sanções contra os advogados dos demandantes”, afirmou a empresa em nota ao PC Mag.

Processo alega que WhatsApp teria acesso às mensagens de usuários mesmo com criptografia (Imagem: Ravi Sharma/Unsplash).

“Eles estão nos vigiando”

O processo judicial contra o WhatsApp levanta um ponto envolvendo a privacidade no aplicativo, cujas conversas possuem um método de segurança que garante que apenas remetentes e destinatários possam acessar o conteúdo das mensagens, arquivos e chamadas. Isso é possível graças ao processo que criptografa dados antes de transferi-los para o local de destino.

Para os usuários que abriram a ação judicial contra o WhatsApp, porém, não é isso que ocorre na plataforma. O grupo argumenta que funcionários da Meta podem solicitar, caso queiram, a visualização das mensagens de uma pessoa mesmo com a criptografia de ponta a ponta.

“Um funcionário só precisa enviar uma ‘tarefa’ (ou seja, uma solicitação por meio do sistema interno da Meta) a um engenheiro da Meta, explicando que precisa acessar as mensagens do WhatsApp para realizar seu trabalho. A equipe de engenharia concede o acesso, muitas vezes sem qualquer análise prévia, e a estação de trabalho do funcionário passa a ter uma nova janela disponível que pode exibir as mensagens de qualquer usuário”, o processo diz.

A ação ainda afirma que as mensagens são “vigiadas” em tempo real e até mesmo conteúdos que os usuários acreditam terem sido excluídos do aplicativo podem ser acessados. Por outro lado, o processo não apresenta detalhes técnicos aprofundados sobre a suposta farsa envolvendo a criptografia de ponta a ponta do WhatsApp.

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