Meta cria aplicativo secreto para você apostar no futuro

A Meta iniciou o desenvolvimento de um aplicativo independente voltado para o mercado de previsões, apelidado internamente de Arena, de acordo com o New York Times. O projeto, encomendado diretamente pelo CEO Mark Zuckerberg, é tratado como prioridade, e busca capturar o engajamento de um setor em forte expansão global.

Ao contrário das plataformas líderes de mercado, como Polymarket e Kalshi, a versão experimental da Meta foca em um sistema de pontuações e rankings em formato de videogame, sem o uso de dinheiro real nas apostas iniciais.

Detalhes e impacto do projeto Arena

A nova plataforma funcionará de maneira separada do Facebook e do Instagram. Apesar da autonomia, a Meta planeja direcionar sua base de usuários atual para alavancar a tração do novo aplicativo.

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Embora o modelo inicial exclua transações financeiras reais, fontes internas apontam que a inclusão de dinheiro em espécie pode ocorrer em etapas futuras de maturação do produto.

Esta é a segunda incursão da Meta nesse segmento de mercado. A companhia operou anteriormente o aplicativo Forecast, estruturado sob uma dinâmica similar de pontos, que acabou descontinuado por falta de alcance de público de massa.

A nova tentativa já atrai oposição regulatória nos Estados Unidos. O senador Richard Blumenthal criticou a iniciativa no X — antigo Twitter —, demonstrando preocupação com ferramentas voltadas prioritariamente para a retenção contínua da atenção dos usuários.

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A Meta busca por mais fontes de renda; em 2026, a empresa lançou assinaturas premium para o Facebook, Instagram e WhatsApp (Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech)

Como funciona o mercado de previsões

Os mercados de previsão operam como bolsas de valores voltadas para acontecimentos futuros. Os usuários compram e vendem contratos baseados na probabilidade de ocorrência de eventos que variam de eleições presidenciais e decisões de política monetária a torneios esportivos e cultura pop. À medida que a opinião coletiva oscila, o preço do contrato varia em tempo real de acordo com as forças de oferta e demanda de mercado.

Empresas de análise financeira, como o instituto de pesquisa Bernstein, projetam que o volume financeiro anual desse segmento pode atingir US$ 1 trilhão até o final desta década.

O forte crescimento registrado a partir das eleições de 2024 nos Estados Unidos impulsionou plataformas como Polymarket e Kalshi, cujos volumes de negociação alcançaram dezenas de bilhões de dólares. O avanço motivou a entrada de corretoras tradicionais no setor, incluindo a Interactive Brokers e a Robinhood, que passaram a listar contratos de eventos diretamente em seus catálogos de produtos.

Diferença entre mercados de previsão e "bets"

 dinâmica operacional dos mercados de previsão apresenta diferenças estruturais em relação às casas de apostas esportivas, conhecidas popularmente no Brasil como "bets".

  • Formação de preços e flexibilidade de saída: nas plataformas de apostas esportivas tradicionais, o usuário joga contra a banca, que fixa as cotações (odds) de um evento esportivo e retém o valor até a conclusão da partida. No mercado de previsão, os contratos funcionam como ativos financeiros negociáveis. O participante pode revender sua posição de mercado a outros usuários a qualquer momento antes do fechamento do evento, realizando lucros ou mitigando prejuízos com base na flutuação das probabilidades;
  • Escopo temático: enquanto as casas de apostas esportivas se concentram em resultados de partidas e métricas de atletas, os mercados de previsão transformam dados geopolíticos, macroeconômicos e indicadores de negócios em contratos negociáveis de longo prazo.

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