
Tim Cook vai deixar o cargo de CEO da Apple após 15 anos e já tem um sucessor: o atual vice-presidente sênior de engenharia de hardware da empresa, John Ternus. O futuro chefe trabalha na Gigante de Cupertino desde 2001 e esteve presente no desenvolvimento dos principais produtos da companhia desde então.
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A mudança marca o fim de uma era em que a empresa viu seu valor de mercado disparar sob o comando de Tim Cook e coloca Ternus diante de holofotes importantes, como o aniversário de 20 anos do iPhone e a posição da companhia na corrida por IA.
A seguir, confira:
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- Quem é John Ternus?
- Legado de Tim Cook
- Mudanças na estrutura da Apple
- O que esperar de John Ternus como CEO?
- Desafios passam por inovações até o cenário geopolítico
Quem é John Ternus?
Graduado em engenharia mecânica pela Universidade da Pensilvânia (EUA), John Ternus atuou como engenheiro mecânico na empresa Virtual Research Systems antes de ser contratado pela Apple em 2001.
Pela Big Tech, Ternus atuou em diversas frentes na equipe de engenharia e supervisionou o desenvolvimento de diversos produtos, como o iPad e os AirPods. Chegou ao cargo de Vice-Presidente de Engenharia de Hardware em 2013 e entrou na equipe executiva em 2021, como vice-presidente sênior de engenharia de hardware (ocupação atual).
Em nota, a Apple destacou o trabalho de Ternus na unidade de Macs, com destaque para o MacBook Neo, lançado neste ano. Além disso, o executivo foi reconhecido por trazer novas técnicas que aumentaram a resistência e a durabilidade dos produtos da empresa, assim como alternativas mais sustentáveis nos materiais usados.
O futuro CEO já teve algumas aparições em eventos da Apple, mas adota uma personalidade low profile e sequer tem uma conta no X, por exemplo.
Legado de Tim Cook
Ternus será o oitavo CEO da história da Apple e só não deve assumir uma responsabilidade maior do que o próprio Tim Cook, que substituiu o lendário Steve Jobs em 2011. O “reinado” de Cook nos últimos 15 anos foi marcado por uma imensa valorização da empresa, colocada no topo do mercado global.
A empresa foi a primeira de capital aberto da história a atingir US$ 1 trilhão em valor de mercado em 2024 e registrou um salto de US$ 350 bilhões para cerca US$ 4 trilhões sob o comando de Cook.
O comando executivo trouxe novos produtos que impactaram o mercado, como o Apple Watch, os AirPods e o Apple Vision Pro, além de esforços para melhorar a área de serviços e softwares da empresa. A companhia entrou na era dos streamings com Apple TV+ e Apple Music, além de conquistar usuários com os recursos de saúde do Watch.
Por outro lado, a “era Cook” também foi criticada pela falta de inovações drásticas, especialmente nos iPhones. A Apple também se viu no centro de investigações de leis antitruste, especialmente com as taxas aplicadas pela App Store.
Mudanças na estrutura da Apple
A troca de CEOs também tem uma “dança das cadeiras” no alto escalão: Tim Cook assume o cargo de chairman executivo, enquanto Arthur Levinson sai do cargo de chairman não executivo para assumir o posto de Diretor Independente Líder.
Cook ainda vai participar do dia a dia da empresa, mas com foco no conselho de diretores e em conversas com legisladores pelo mundo. Ternus assume o cargo oficialmente no dia 1º de setembro de 2026 e até lá ambos trabalharão juntos para uma transição.
O que esperar de John Ternus como CEO?
A experiência de Ternus com hardware pode ser interpretada como um movimento para colocar os produtos em foco e trazer de volta a raiz inovadora da Apple. Rumores no mercado já indicam que a empresa deve lançar novos produtos em breve, como um iPhone dobrável e a entrada em novas categorias de consumo.
O futuro CEO também será o responsável por revelar a versão comemorativa de 20 anos do iPhone em 2027. Vazamentos indicam que o modelo deve quebrar com os padrões recentes dos celulares e adotar uma tela em vidro sem bordas, mas ainda não existem confirmações oficiais.
Ternus terá o desafio de reposicionar a Apple no mercado de IA. A empresa ficou atrás na corrida da tecnologia e recebe críticas pela falta de recursos nativos do tipo, mas pode seguir um caminho para aperfeiçoar serviços e produtos já existentes.
Desafios passam por inovações até o cenário geopolítico
Para o professor de Negócios Internacionais e Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), João Alfredo Lopes Nyegray, a mudança visa planejar o futuro da Apple e ir além de aperfeiçoar o que já existe no presente da companhia.
“Cook consolidou escala, margem, cadeia global, serviços e ecossistema; Ternus assume quando isso já não basta. A sucessão oficial preserva continuidade institucional, mas sinaliza que a Apple quer recolocar hardware, experiência de produto e integração com IA no centro da estratégia. O ponto central não é apenas “trocar Tim Cook”. É responder a uma pergunta incômoda: qual será o próximo dispositivo, interface ou ecossistema capaz de reduzir a dependência estrutural do iPhone?”, pondera.
Nyegray ainda lista três desafios principais para o novo CEO: mostrar inovações, principalmente quando o mercado exige velocidade e mais IA; passar por uma crise geoeconômica com batalhas com a China, pressão tarifária e escassez de componentes; por fim, convencer investidores, consumidores e desenvolvedores de que há um novo ciclo de crescimento na companhia.
O professor da PUCPR ainda entende que o nome de Ternus é uma tentativa de corrigir algumas limitações da era Tim Cook, mas sem desmontar a arquitetura que já existe na empresa.
“Ele é interno, conhece profundamente a cultura da Apple e participou de produtos centrais. A leitura estratégica é clara: se a próxima fase da IA for decidida não apenas por modelos, mas por dispositivos, sensores, chips, interfaces e experiências integradas, faz sentido colocar um engenheiro de produto no topo. A Apple dificilmente vencerá Google, Microsoft, Meta ou OpenAI tentando parecer uma empresa pura de IA, então sua chance está em transformar IA em uso cotidiano invisível, confiável e embarcado nos aparelhos”, completa.
Relembre o legado de Tim Cook durante sua passagem como CEO da Gigante de Cupertino.
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