Novo recurso do Firefox no iOS bloqueia anúncios sem apps extras

A Mozilla começou a testar um bloqueador de anúncios nativo no Firefox para iOS. A ferramenta filtra publicidade diretamente na camada de rede, antes que os anúncios cheguem a carregar na tela, sem exigir a instalação de extensões de terceiros.

O recurso usa listas de filtros baseadas no EasyList, padrão adotado por bloqueadores de anúncios em todo o mundo. Com base nessas listas, o Firefox barra solicitações a redes de anúncios, exchanges publicitárias e seus rastreadores conhecidos.

Pop-ups e overlays em vídeo também entram no escopo do bloqueio. A função é distinta da Enhanced Tracking Protection, recurso de privacidade já existente no navegador e ativado por padrão, focado em rastreadores e não na aparência visual dos anúncios.

Para ativar o bloqueador, é preciso acessar o menu do aplicativo, entrar em Configurações e navegar até Navegação > Conteúdo. Também é possível ligar ou desligar a função para uma aba específica pelo menu do site, sem alterar a configuração geral.

Duas exceções gerem controvérsia

A própria Mozilla reconhece que o bloqueio não é completo, já que diferentes sites usam tecnologias distintas para veicular publicidade. Duas exclusões, porém, foram feitas de forma deliberada e têm gerado debate entre usuários.

Anúncios exibidos em páginas de resultado de buscadores como Google e Bing ficam fora do bloqueio. O mesmo vale para conteúdo patrocinado exibido na página inicial e na aba de nova guia do próprio Firefox.

A empresa não detalhou publicamente o motivo das exceções. Usuários em fóruns como o Hacker News associaram a decisão aos cerca de US$ 585 milhões que a Mozilla recebe anualmente do Google por acordos de parceria em busca, valor que responde pela maior parte da receita da organização, segundo dados citados pelo BigGo Finance.

navegador firefox

Recurso ainda é experimental

O lançamento segue em fase de testes e chega a parte dos usuários de forma gradual. A Mozilla não informou uma data para a disponibilização geral e afirma que vai ajustar a compatibilidade com diferentes sites ao longo do processo.

A empresa também não divulgou dados sobre a eficácia do bloqueio em comparação a outras soluções. Aplicativos como Wipr 2, uBlock Origin Lite e o navegador Brave seguem oferecendo bloqueio mais abrangente no iOS, já que operam por caminhos técnicos diferentes do adotado pela Mozilla.

Limitação do sistema da Apple

A extensão do alcance do bloqueador esbarra em uma restrição da própria Apple. Como todos os navegadores no iOS são obrigados a rodar sobre o motor WebKit, o Firefox não pode usar seu motor Gecko nem seu ecossistema de extensões na plataforma, o que reduz a força do bloqueio em comparação à versão de desktop.

União Europeia e Japão já exigiram da Apple a abertura para motores de navegador alternativos, por meio de regulações como a Lei de Mercados Digitais. A implementação prática dessas exigências, no entanto, ainda avança de forma lenta.

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