O que as pessoas esperam da IA? Pesquisa realizada pela Anthropic tem a resposta

Um entrevistador de inteligência artificial (IA) e mais de 80 mil pessoas de 159 países, falando 70 idiomas diferentes, como entrevistadas. Essa foi a base de dados usada pela Anthropic para realizar uma pesquisa que buscou responder à seguinte pergunta: o que as pessoas esperam da IA?

O estudo foi todo realizado dentro do Claude, onde uma versão configurada da plataforma, identificada como “Anthropic Interview”, conduziu conversas informais com os usuários. Cada um dos entrevistados teve acesso a uma lista de perguntas predefinidas, que foram posteriormente adaptadas com base nas respostas.

A ideia principal era saber o que a base de usuários do Claude espera da IA, e a pergunta feita para obter essa resposta foi: “Se você pudesse usar uma varinha mágica, o que a IA faria por você?”.

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A maior parte das pessoas (19%) afirmou que busca excelência profissional, com o intuito de que a tecnologia lide com tarefas rotineiras, enquanto elas se dedicam a atividades estratégicas e à resolução de problemas complexos.

Outras respostas dadas a essa questão foram:

  • Transformação pessoal (14%);
  • Gestão da vida (14%);
  • Liberdade de tempo (11%);
  • Independência financeira (10%);
  • Transformação social (9%);
  • Empreendedorismo (9%);
  • Aprendizagem e crescimento (8%);
  • Expressão criativa (6%).

Em relação às pessoas que mencionaram a “transformação social”, uma boa parte direcionou os desejos para áreas como saúde e educação. Elas afirmaram querer que a IA ajude a detectar o câncer mais cedo e também que contribua para romper a associação entre qualidade educacional e renda.

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Parcela dos entrevistados deseja que a IA auxilie em processos relacioandos à saúde, como detecção do câncer (Imagem: DC Studio/freepik)

IA como aliada da produtividade

A pesquisa da Anthropic também revelou se as pessoas estão conseguindo alcançar seus objetivos em relação à IA, com 81% dos entrevistados respondendo a essa pergunta de forma positiva. Entre esse grupo, 32% afirmaram que a tecnologia já auxilia na produtividade no trabalho, com destaque para liberar mais tempo no dia.

“Usei IA para reduzir um processo de 173 dias para apenas 3 dias. Mas a parte mais significativa é a liberdade de desenvolver minha carreira sem sacrificar o tempo com meus entes queridos”, ressaltou um engenheiro de software dos Estados Unidos.

Outra parcela dos entrevistados citou a acessibilidade técnica (9%) como um avanço proporcionado pela IA no dia a dia. Essas pessoas destacaram que a tecnologia as ajudou a superar barreiras técnicas e de acessibilidade.

“Sou muda, e [Claude e eu] criamos juntos este bot de texto para fala — consigo me comunicar com amigos quase como se estivéssemos conversando normalmente, sem que eles precisem dedicar tempo à leitura… [isso era] algo com que eu sonhava e achava impossível”, relatou um profissional ucraniano do setor administrativo.

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Pesquisa conduzida dentro do Claude aponta que IA auxilia na acessibilidade de usuários (Imagem: Viviane França/Canaltech)

Preocupações, benefícios e danos relacionados à IA

Para além dos aspectos positivos, o relatório também destacou as principais preocupações das pessoas em relação à implementação da inteligência artificial na rotina. Os apontamentos estão ligados a diferentes áreas, com destaque para a falta de confiabilidade (27%).

Algumas outras respostas apresentadas foram:

  • Empregos e economia (22%);
  • Perda de autonomia (22%);
  • Atrofia cognitiva (16%);
  • Governança (15%);
  • Desinformação (14%).

O estudo também analisou benefícios e possíveis danos percebidos pelas pessoas em relação à IA. A Anthropic descreve esse cenário como um conceito de “luz e sombra”, já que envolve aspectos que ao mesmo tempo geram vantagens e riscos.

Um dos destaques é que, enquanto 33% das pessoas mencionaram o aprendizado como uma vantagem, 17% citaram a possibilidade de atrofia cognitiva como uma consequência da dependência dessa tecnologia.

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Relatório lança luz sobre uma tensão entre a IA auxiliar no aprendizado, e o medo da prática gerar uma atrofia cognitiva (Imagem: João Melo/Canaltech)

Outra tensão apontada pela pesquisa está entre ganho de tempo e produtividade ilusória. Metade dos entrevistados citou a otimização do tempo como um benefício, mas 19% disseram temer que a IA aumente a carga de tarefas, como verificação de informações, resultando em perda de tempo.

Com uma ampla amostragem de dados, a pesquisa aponta para uma direção em que, ao mesmo tempo em que a integração da IA no cotidiano vem sendo acelerada, as preocupações das pessoas sobre o uso dessa tecnologia ainda persistem.

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