O que de fato significa o fim das mídias físicas nos consoles

A Sony decretou em julho que vai parar de lançar jogos do PlayStation em mídia física em 2028. Isso levantou debates, movimentou autoridades, criou memes, mas, no fim, ela vai manter sua posição.

Enquanto isso, a Nintendo avança cada vez mais com suas Game-Key Cards. Além disso, tornou o valor dos títulos vendidos na eShop mais acessível, o que gera uma preferência clara para o público comprar em sua loja digital.

Por outro lado, a Microsoft pretende lançar um recurso que converte jogos de XBOX em mídia física para o formato digital. Assim, toda sua coleção poderá ser jogada diretamente pela sua plataforma, sem uso de um drive. 

No fim do dia, as três se preparam para o fim das mídias físicas nos consoles. Porém, você sabe o que realmente tudo isso significa quando os discos sumirem das prateleiras e do e-commerce? Prepare-se, pois se voc6e acredita que já não tem direitos hoje em dia sobre os games, as coisas vão piorar.

Sabe aquele jogo com desconto? Esquece

Descontos e ofertas surgem para chamar a atenção dos jogadores. Quando uma empresa possui o monopólio sobre alguma plataforma ou produtos, isso será retirado de você sem qualquer dó ou piedade.

Afinal de contas, por qual razão eles terão que vender algum jogo mais barato para você? Para jogar, você só poderá comprar deles. Pode demorar, claro, mas se você quer algo, será no preço que eles estabelecerem. 

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Emprestar jogo? Nem pensar

Após zerar um game, é comum emprestá-lo para os amigos se divertirem ou até revender. Porém, agora que o disco vai ser uma licença presa à sua conta, pode esquecer desse antigo hábito. Se seus amigos ou parentes quiserem, terão de comprar algo (isso se esta pessoa não for você).

Na PlayStation Store, Loja XBOX e eShop, você paga apenas pelo acesso ao jogo — que é deles. No contrato, naquelas letras miúdas, eles deixam bem claro que isso é intransferível e que o jogo pode ser removido da sua biblioteca sem cerimônias. Ou seja, esqueça essa história de emprestar um jogo.

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Achadinhos de jogos? Acabou 

Com o monopólio, também vai acabar a história de garimpar jogos a preços mais baratos e até edições de colecionador — aquelas que vêm com uma steelbook estilizada, cartões e vários outros brindes. Seminovos então, nem pensar. 

Se você vê alguns games hoje por R$ 30, R$ 50 e valores bem econômicos, é bom aproveitar. Inclusive, as plataformas estão com uma mania horrível de remasterizar e lançar remakes, o que exclui a versão original. Até aquele título antigo, se você tentar encontrar mais barato, pode ser que nem exista mais. 

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Eles mandam em tudo, inclusive no seu bolso

Por falar em valores, entrou agora uma tática que ganhou muita força: os preços dinâmicos. Com isso, cada game é vendido por um preço diferente para cada usuário, a depender de vários fatores — o que inclui biblioteca, local, idade e muitos outros.

Isso quer dizer que aquele jogo que você quer tanto jogar pode ter um preço para você e outro completamente diferente para o seu amigo. Pagará mais barato quem a Sony decidir. Não é apenas decidir o quanto cada um vai pagar, mas também tornar o valor mais alto para alguns com critérios sombrios, que absolutamente ninguém sabe quais são.

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Prontos para rotear o videogame com o celular?

Sabe aquela viagem para um lugar distante, na qual pretende levar seu PS5 ou XBOX Series? Sem conexão à internet, você só consegue rodar as mídias físicas neles — já que a versão digital passa por uma verificação de licença.

Com as próximas gerações exclusivamente digitais, trate de refletir se vale a pena rotear a internet do seu smartphone para o videogame. Sem isso, você não jogará. Além disso, boa sorte para o lugar que for ter sinal e seu plano cobrir o pacote de dados, diga-se de passagem.

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O jogo literalmente NÃO É SEU

Sei que entendeu a questão das licenças, mas muitos ainda não compreendem que Sony, Microsoft e Nintendo podem remover os jogos da sua biblioteca na hora que quiserem, pelas razões mais diversas possíveis. Errou sua senha e sua conta foi bloqueada? Você pode ser impedido de jogar até o momento que isso for corrigido (se for). 

Em alguns casos, eles apenas removem a opção de compra e outras pessoas não podem mais adquirir aquela experiência. Em outras, eles estão livres para deletar o título até mesmo da sua lista de jogos comprados, impedindo o acesso completo aos jogos — como foi com Concord, The Crew e Driveclub. É como se a Sony entrasse na sua casa, pegasse um disco de volta e você não pudesse fazer nada para impedi-los (eles já fizeram com os filmes, com os games não será diferente). 

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Fim das lojas físicas 

Sabe aquele local em que seus pais ou avós iam para comprar jogo, tirar dúvidas ou buscar aquele macete que nem mesmo o ChatGPT e Gemini sabiam? Ou aquele que reunia a galera para campeonatos e ações promocionais dos títulos que você ama? Esse lugar não vai existir mais, já que as mídias não estarão mais ali.

Nesses últimos tempos, a Gamestop afirmou que “games não eram mais o foco de seus negócios” (o que gerou vários memes como loja Stop), mas elas sobreviverão apenas se mudarem de foco. No fim das contas, não terá lugar para onde correr ou até disputar um torneio como aconteciam nos bons e velhos tempos.

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A preservação morre junto

Quem vai em eventos de jogos, até mesmo aqui no Brasil, sabe que algumas lojas e estandes trazem uma variedade impressionante de games antigos e que não estão mais disponíveis hoje em dia. É o lugar perfeito para encontrar raridades e experimentar coisas que só se ouvia falar no passado.

Isso não vai te impactar no PS5 ou no PlayStation 6, mas quando chegar ao PS8 ou PS9 e perceber que não tem mais acesso àquele game querido que marcou a sua infância ou juventude, sentirá uma falta que jamais poderá ser suprida - pelo menos até lançarem um remake ou remaster para tirarem dinheiro do seu bolso mais uma vez cobrando o valor cheio de jogo novo.

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O fim chegará e você vai sentir falta

A Sony e as demais companhias da indústria dos games já decretaram o destino dos discos e cartuchos. Infelizmente, mesmo com a movimentação da comunidade, figuras políticas e a presença de órgãos de defesa ao consumidor, eles querem prosseguir com o plano e eliminar o formato.

A troco de mais dinheiro para investidores (já que não terão de gastar com distribuição, produção e outros fatores) e mais controle sobre os jogadores, perderemos algo que foi criado há 50 anos e reverter isso pode soar impossível em um breve futuro.

Alguns falam de abaixo-assinado, outros de fazer greve de PS Plus e até parar de comprar games por um determinado período. Inclusive, acham que só reclamar no X e no Instagram fará diferença. Porém, se a comunidade não se unir de verdade e promover um boicote ou uma ação efetiva, nada mudará.

Essas companhias sentem o impacto em apenas um lugar: no bolso. Parar de comprar jogos é uma opção, assim como bater incansavelmente nessa tecla em posts com parcerias — o que afeta os acordos comerciais e, consequentemente, faz o dinheiro desaparecer. 

A queda da PS Plus e serviços por assinaturas é outro ponto que pode afetar, ainda que as companhias “tenham fé” de que isso pode se reverter futuramente. A questão é que todas estão confortáveis em pedestais, com a crença de que o público vai querer voltar. Elas estão corretas?

Somado à Uberização dos videogames e à Tiktokficação da indústria dos jogos, o futuro parece cada vez mais sombrio. 

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