
Grand Theft Auto é um sucesso incontestável, mas não é uma franquia amada por todos os jogadores. Enquanto uma parcela colossal de fãs defende GTA com unhas e dentes, outros criticam diversas características da experiência ao longo das décadas.
Mesmo como um sinônimo de liberdade para os jogadores, ela não vem sem estar acompanhada de temas adultos, humor provocativo, crimes, perseguições, exageros e uma estrutura online que nem todo mundo consegue tolerar.
Para ilustrar melhor como a comunidade gamer se divide em torno de GTA, hoje o Canaltech debate os motivos que fazem os games da franquia valerem a pena para alguns, assim como os pontos que afastam parte do público.
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O que GTA representa na indústria dos jogos
O amor pela saga da Rockstar pode não ser unânime, mas não há discussão relacionada a como a franquia ajudou a moldar a expectativa moderna sobre os jogos de videogame. Não apenas isso, ele se tornou um verdadeiro sinônimo de “hype” e qualidade em projetos do gênero.
Grand Theft Auto se tornou uma verdadeira referência dentro da indústria, por combinar uma cidade viva, liberdade de deslocamento, missões cinematográficas, rádio, humor, direção, combate e atividades paralelas em um pacote muito bem arrumado.
Claro que você pode fazer uma bagunça gigantesca e se divertir enquanto provoca o caos, mas todos sabem que GTA não é só isso. Poucos títulos passam uma sensação de que existem muitas coisas simultâneas e que pode experimentar todas, onde tudo funciona como palco de histórias, acidentes, ação e improviso.
Ainda que muitos estúdios tenham tentado, nenhum alcançou a franquia. Mesmo 13 anos após o quinto game, por exemplo, e duas gerações de consoles depois, ninguém fez uma experiência tão completa quanto a Rockstar — só para ter um grau comparativo de como sua produção está “fora de alcance” até os dias atuais.
Por que tanta gente ama GTA?
Ainda nos tempos do PS1, a franquia representava uma autonomia impressionante. Isso se manteve até hoje em dia, com games nos quais é possível fazer o que bem entender: dá para roubar um carro, fingir ter uma “vida comum”, entrar em briga com as autoridades até a chegada do Exército e muito mais.
Desde o princípio, os jogadores podem seguir normalmente a campanha, assim como explorar a cidade, dirigir sem rumo, causar perseguições, testar os limites do sistema ou simplesmente habitar aquele mundo. É algo que nem mesmo RPGs de mundo aberto ou simuladores conseguiram, em décadas.
Na prática, é um verdadeiro parque de diversões adulto. A cidade satirizada funciona como um modo de alimentar a fantasia de liberdade que muitas pessoas têm. Isso sem mencionar as diversas mecânicas, que permitem construir sua própria história ali: com o veículo, cabelo, roupa e mais da forma como quiser.
Dito isso, é impossível que um fã apaixonado por GTA não tenha uma história própria dentro da obra. Do primeiro ao quinto, somado aos spin-offs, gerações foram marcadas por construir o seu caminho à sua própria maneira. Por isso muitos voltam, prontos para iniciar um novo caminho dentro destes mundos.
Por que tanta gente odeia GTA?
Mesmo que tenha uma legião de apaixonados, Grand Theft Auto nunca conquistou a unanimidade no coração dos jogadores. Um dos principais elementos que mantém certa parte do público distante é a violência excessiva, que pode ser vista por alguns como “apelativa”.
Você conhece aqueles programas de TV ao estilo Brasil Urgente, Cidade Alerta e outros do gênero? Eles são conhecidos por parte da população e carregam uma grande audiência, com um certo fascínio dos espectadores pela violência retratada ali. Não é a mesma coisa, mas muitos veem GTA por uma perspectiva similar.
Quem nunca viu uma pessoa horrorizada pela possibilidade de atropelar moradores de rua ou crianças na rua? Ou por você pegar uma bazuca no game e disparar contra uma pilha de carros presa no sinal vermelho? Para estes, há um ponto até “sádico” na forma como se explora tudo isso, o que os afasta.
Este não é o único aspecto que mantém as pessoas longe da franquia. Também se destacam o linguajar, o humor que envelheceu mal, representatividade cultural, tom cínico e até alguns recursos do gameplay: que podem se mostrar uma simples repetição de fórmula ou pela sensação que falta imersão em certos temas — para favorecer outra rodada de caos e confusão.
Vale lembrar que há movimentos ao redor do mundo contra jogos como GTA. Não darei “nome aos bois”, mas são sempre os mesmos responsáveis que culpam os videogames por crimes e atrocidades que vemos na vida real. Mesmo com a Classificação Etária, muitos pais e responsáveis continuam permitindo que as crianças acessem tudo isso, o que alimenta ainda mais essa fogueira.
Por fim, também existe o ambiente de GTA Online. A plataforma social quase infinita pode ser uma barreira e tanto para parte dos jogadores, já que muitos consideram o seu progresso dependente de grind, conteúdos inflados e menos acolhedor para quem chegou tarde para esta festa.
O que GTA 6 mudará nesse debate?
A promessa ao redor de GTA 6 é grandiosa, mas a Rockstar tem um problema e tanto em mãos com o seu game. Em outras palavras, ele carrega uma expectativa quase impossível de ser atendida pelos meios convencionais.
O próximo game precisa agradar os fãs antigos, justificar anos de espera, atualizar a sátira social e competir com o próprio legado de Grand Theft Auto V. O estúdio até pode conseguir os mesmos 220 milhões de vendas do antecessor, mas só vai superar a obra se conquistar também aqueles que estão “fora”.
Para isso, precisará não apenas rever o conceito do zero, mas de uma forma que não desagrade quem já acompanha e busca justamente o conteúdo que o estúdio produz. Alguns diriam que é uma tarefa impossível, enquanto outros apontam que por isso demorou tanto para o sexto título vir.
A verdade é que não existe uma resposta “certa” para como ele deve se comportar para atrair ambos os lados. GTA 6, assim como qualquer título, não conseguirá agradar a todos. Nenhum consegue, na verdade.
Vamos supor que a Rockstar aprimore a narrativa, mundo, sistemas e multiplayer para reduzir as críticas negativas. Ainda assim, vão encontrar “pelo em ovo”. Resta aos dois extremos compreender que nem tudo agradará a todos e não é problema algum seguir deste modo.
O mesmo ocorreria se o estúdio apenas ignorasse tudo isso e seguisse com seus vícios antigos, o que intensificaria a divisão, mas os maneria em evidência. Se um lado reclama e outro defende, o nome “GTA” continuará em alta e muitos comprarão apenas para mergulhar neste debate.
O que há no meio de GTA?
Quem joga Grand Theft Auto aceita a mistura de liberdade, exagero, crimes, sátiras e caos como parte da proposta. Inclusive, é uma maré que se mostra cada vez mais crescente. Porém, isso não vale igualmente para todos os jogadores.
É justamente neste ponto que a discussão se alimenta, já que temos dois lados opostos: um que deseja “forçar” que o outro curta algo e o outro, que “inflama” tudo para expor suas opiniões. No fim, quem ganha com tudo isso é a Rockstar.
A série entrega experiências memoráveis, mas cobra dos jogadores uma tolerância maior ao seu tom, estrutura e contradições. Isso manteve GTA relevante, mesmo quase 30 anos depois de sua estreia.
Contudo, apesar destas inconsistências terem de ser mostradas para que os fãs decidam com clareza, isso não a torna indigna dos méritos que carrega e do peso que tem no mercado. Se você gosta, está ótimo. Caso não, tudo bem também.
A parte que mais importa é lembrar que videogames e jogos são entretenimento, logo, servem para nos divertir. Alguns divertem mais uns do que outros — assim como filmes, séries, desenhos animados e diversas obras. Temos de aceitar essas diferenças e conviver com todas elas.
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