O verdadeiro gargalo da IA está no modelo de trabalho

Acompanhando as falas do futurista Ian Beacraft no SXSW 2026, me deparei com uma leitura cirúrgica que ele fez sobre o atual momento da inteligência artificial nas empresas: o maior problema não está nas ferramentas tecnológicas em si, mas na forma como o trabalho ainda é organizado.

Há 4 anos escrevi o artigo "Esquizofrenia Corporativa", onde falei um pouco sobre como as empresas estão tentando obter resultados transformadores, mas continuam operando sob lógicas antigas. Hoje, com IA, esse cenário está ainda mais escancarado, pois estamos projetando iniciativas para um sistema que já está obsoleto. Deveríamos pensar mais sobre um novo modelo organizacional e menos em como adaptar o novo à antiga forma de ver e fazer as coisas.

Estrutura organizacional virou o verdadeiro gargalo

A grande questão é que a maioria das organizações usa a IA para fazer as mesmas coisas de sempre, só que mais rápido. Ninguém quer mexer no "vespeiro" do modelo de trabalho, porque mudar dói. A grande questão que fica é: de quem é a responsabilidade por destravar esse gargalo?

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A resposta é direta e, talvez, indigesta para alguns: da alta gestão: "... quando você centraliza a responsabilidade de definir a estratégia e tomar decisões, você torna a capacidade de mudança da organização refém da disposição de um pequeno número de pessoas em mudar: as que estão no topo, e que muitas vezes têm muito de seu capital emocional investido no passado." - Gary Hamel (London Business School), em entrevista para a revista HSM Management de março/26.

A adoção transformadora não começa pela tecnologia ou pelo departamento de TI, mas sim pelas pessoas, mais especificamente pelos líderes e tomadores de decisão. São eles que dão tração e sustentação para que a jornada sobreviva aos atritos iniciais e se mantenha próspera apesar das incertezas. Afinal, a inteligência artificial expõe um problema de design organizacional, e quem desenha a estrutura, define as métricas e estabelece os incentivos é a liderança.

Gary, na mesma entrevista, afirma que "...isso passa por transformar o modelo de gestão na direção da humanocracia – que é a organização capaz de catalisar seus talentos humanos". Mas pra isso, precisamos nos transformar primeiro.

Será que estamos preparados?

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