‘Ocultar Meu E-mail’ da Apple falha miseravelmente no que propõe; entenda

O recurso de “Ocultar meu E-mail” do Apple iCloud+ promete oferecer mais privacidade e segurança aos endereços principais dos usuários. Mas investigações nos Estados Unidos mostram que, na prática, a funcionalidade apresenta algumas brechas.

A função permite que os clientes do plano de assinatura gerem e-mails aleatórios e anônimos para receber mensagens no endereço original. Com isso, o contato real do usuário não é revelado, permanecendo protegido.

Contudo, documentos judiciais acessados pelo TechCrunch apontam que o FBI solicitou e teve acesso ao endereço principal de e-mail de um dos usuários que utilizavam a ferramenta do iCloud+.

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O pedido ocorreu no âmbito de uma investigação relacionada a um e-mail anônimo que supostamente ameaçava Alexis Wilkins, namorada do diretor do FBI, Kash Patel. A empresa chegou a fornecer à autoridade federal não apenas o endereço titular da conta, como também o nome completo do investigado.

Além disso, a Apple também informou registros de 134 endereços de e-mail criados pelo titular com o recurso “Ocultar meu E-mail”.

Outro mandado de busca, desta vez como parte de uma investigação conduzida pela Homeland Security Investigations (HSI), subdivisão do Immigration and Customs Enforcement (ICE), aponta que a empresa entregou informações de um cliente acusado de um esquema de fraude de identidade.

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FBI teve acesso a endereços originais vinculados ao recurso "Ocultar meu E-mail" (Imagem: Brett Jordan/Unsplash)

Solicitação legal influencia anonimato

A exposição de dados de usuários do recurso “Ocultar meu E-mail” em resposta a solicitações de autoridades mostra diferenças na forma como a Apple lida com o acesso a informações privadas.

Na prática, o recurso protege o usuário de aplicativos, sites e anunciantes ao gerar endereços de e-mail aleatórios. Ainda assim, solicitações legais feitas por autoridades podem permitir o acesso a dados vinculados às contas do iCloud+.

Esse cenário mostra que a Apple armazena internamente informações capazes de relacionar os endereços criados ao titular da conta. Além disso, o próprio funcionamento dos e-mails aponta para limites de privacidade, já que a maioria das mensagens ainda não conta com criptografia de ponta a ponta.

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