Paradoxo da IA: emprego bate recorde, mas jovens não conseguem entrar no mercado

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou, em relatório divulgado neste mês, que não há indícios de que o avanço da inteligência artificial esteja reduzindo de forma generalizada a demanda por mão de obra nos países-membros.

Segundo o secretário-geral da organização, Mathias Cormann, a tecnologia está mudando as competências exigidas pelo mercado, mas ainda não derrubou as perspectivas de emprego global.

O cenário descrito pela OCDE contrasta com o que acontece dentro do próprio setor de tecnologia.

Tech soma mais de 165 mil demissões em 2026

Segundo levantamento da TrueUp, plataforma que rastreia cortes de vagas na indústria de tecnologia, o setor já registrou quase 166 mil demissões distribuídas em 449 layoffs ao longo de 2026.

A média diária chegou a 864 cortes, número superior aos 674 registrados por dia ao longo de todo 2025, quando o total do ano somou 245.953 demissões.

Março foi o mês mais crítico até agora, com 50,3 mil profissionais afetados. Neste ritmo, 2026 deve superar 2025 no total de demissões no setor.

Maiores cortes vieram de empresas que mais investem em IA

Entre as companhias com as maiores reduções de quadro estão Oracle, com 30 mil vagas cortadas, Amazon, com 16 mil, Dell, com 11 mil, Meta, com 8 mil, e Microsoft, com 4,8 mil.

As quatro maiores plataformas de nuvem e IA do mundo, Alphabet, Amazon, Microsoft e Meta, devem investir juntas cerca de 700 bilhões de dólares em infraestrutura de inteligência artificial neste ano, segundo estimativas do Morgan Stanley citadas pela Reuters.

Jovens sentem mais dificuldade para entrar no mercado

O relatório destaca que a entrada de jovens no mercado de trabalho segue especialmente difícil, e que os recentes avanços da inteligência artificial generativa provavelmente têm relação com essa dificuldade.

O desemprego entre jovens subiu em alguns países, incluindo entre aqueles sem diploma universitário.

A OCDE pondera, no entanto, que as evidências do impacto direto da IA sobre trabalhadores mais jovens ainda são limitadas. Fatores cíclicos da economia e mudanças de longo prazo na demanda por competências aparecem como causas mais relevantes no relatório.

inteligência artificial

Vagas de IA crescem, funções tradicionais desaparecem

Enquanto cargos em áreas como suporte ao cliente, recrutamento e desenvolvimento de software tradicional são eliminados, a contratação nas empresas de tecnologia segue concentrada em inteligência artificial, infraestrutura de nuvem e engenharia avançada.

Passa a existir um mercado de trabalho dividido dentro do próprio setor, com demanda aquecida para um perfil de profissional específico e cortes constantes para os demais.

Esse recorte mais restrito ajuda a explicar por que a leitura global da OCDE e a percepção de quem trabalha em tecnologia hoje partem de pontos tão diferentes.

O relatório da organização mede o mercado de trabalho como um todo, somando setores em expansão a outros em contração.

 

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