Plano do PlayStation para abolir mídias físicas revolta indústria dos games

Diversas empresas e varejistas reagiram à decisão do PlayStation de decretar o fim das mídias físicas com contagem regressiva para 2028. A iam8bit, conhecida por distribuir edições especiais e outros colecionáveis de videogames, afirmou estar "profundamente decepcionada" com a notícia da Sony em um curto comunicado publicado nesta quarta-feira (1º) no X.

"Jogos físicos são vitais para a preservação de games, propriedade e escolha do consumidor, valores que têm guiado a iam8bit desde o nosso primeiro lançamento físico em 2016", escreveu a empresa.

Além de distribuir mídias físicas de parceiros como XBOX, SEGA, Remedy e uma tonelada de estúdios indie, a iam8bit também possui um braço com foco em publicação de jogos independentes. Vale notar que essas e outras empresas atuam principalmente nos Estados Unidos, Europa e Japão, o que significa que, mesmo para as empresas que ainda produzem esse tipo de mídia, dificilmente temos acesso a ela aqui no Brasil.

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De qualquer maneira, a empresa reforçou que o seu "compromisso com esses valores permanece inalterado. Vida longa à mídia física".

Outra empresa que se posicionou sobre o fim da mídia física no PlayStation a partir de 2028 foi a GameFly, que presta serviços de aluguel de games. "A GameFly é administrada por pessoas que acreditam que os produtos físicos ainda importam. É uma crença que está no core da nossa empresa desde o primeiro dia", destacou.

Leitor de discos é uma incógnita no PlayStation 6 (Divulgação/Sony)

A desenvolvedora indie Aeternum Game Studios (Aeterna Noctis) prometeu que trabalhará "com urgência para trazer cada jogo que criamos, e aqueles que já estão a caminho, de forma tangível para suas prateleiras antes desse prazo fatídico do início de 2028".

Para o diretor da The Video Game History Foundation, Frank Cifaldi, as notícias são "lamentáveis para aqueles que ainda preferem comprar jogos em mídia física, e certamente representam um golpe nos direitos do consumidor, no mercado de revenda e para os criadores de jogos cujos negócios dependem do mercado físico".

Ainda assim, Cifaldi pontuou que, da perspectiva de preservacionistas profissionais, a decisão do PlayStation não terá um impacto tão grande quanto todos pensam. O diretor argumenta que "a vasta maioria dos videogames produzidos nas últimas duas décadas não foi feita para consoles de mesa dedicados".

Ele finaliza ao afirmar que "a indústria precisa se sentar à mesa para discutir esse assunto de verdade, porque pedir que os museus baixem uma cópia de GTA 6 e torcer para que ela funcione daqui a 50 anos não é uma solução de preservação".

Rockstar também é alvo de críticas

O debate sobre a mídia física ficou ainda mais aceso desde a semana passada, quando a Rockstar Games revelou que a edição física de GTA 6 não incluirá um disco físico, sendo substituído por um código para download.

GTA 6 pode dar início a uma debandada de discos físicos (Divulgação/Take-Two Intercative)

Assim como no caso recente do PlayStation, diversas empresas afirmaram que não irão comercializar o jogo publicado pela Take-Two Interactive. É o caso de uma loja brasileira que se recusa a vender GTA 6 sem disco na caixa.

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