
Quem está à procura de um carro elétrico para comprar, seja ele novo ou usado, certamente quer saber qual a autonomia real que ele entrega a cada carga completa. O problema é que, às vezes, as marcas divulgam números oficiais de acordo com os padrões de medição de outras regiões, como China e Europa. E esse ponto, embora não esteja incorreto, acaba confundindo a cabeça do consumidor brasileiro.
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Isso ocorre porque a medição realizada pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), coordenado pelo Inmetro, tende a ser mais "exigente" que a aferida pela Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) ou pela China Passenger Car Association (CPCA), que usam respectivamente os ciclos WLTP e CLTC para definir a autonomia dos carros elétricos.
No Brasil, de acordo com o PBEV do Inmetro, a autonomia média dos modelos disponíveis costuma variar entre 250 km e 400 km. Já na Europa, o órgão oficial informa que muitos modelos superam os 500 km. Na China, por sua vez, dados mostram avanços significativos, com o alcance muito próximo ao dos europeus. E por que a autonomia no Brasil é menor para os carros elétricos? Confira com o CT Auto.
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Carros elétricos: autonomia na Europa
Na Europa, a autonomia dos carros elétricos é favorecida por uma infraestrutura robusta de recarga e por políticas públicas que incentivam a eficiência energética. O ciclo de testes WLTP (Worldwide Harmonized Light Vehicles Test Procedure), adotado em 2017, é considerado mais realista que os anteriores, aproximando os resultados de laboratório da prática cotidiana.
Além disso, fabricantes europeus investem em baterias de maior densidade energética e em sistemas de gestão térmica avançados, que reduzem perdas em climas frios. Isso explica por que modelos como o Tesla Model Y e o Mercedes EQS superam facilmente os 500 km de autonomia oficial, segundo dados da ACEA.
Como é medida a autonomia na China?
A China tem se destacado como líder global em veículos elétricos, com avanços rápidos na autonomia. A CPCA aponta que, nos últimos cinco anos, a autonomia média dos modelos vendidos no país aumentou significativamente, chegando a níveis comparáveis aos europeus. Isso se deve ao investimento em baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP) e níquel-manganês-cobalto (NMC), além da expansão da rede de recarga rápida.
Outro fator é o ciclo de testes local (CLTC), que tende a apresentar números mais elevados em comparação ao WLTP europeu. Ainda assim, na prática, os veículos chineses têm mostrado bom desempenho, especialmente em áreas urbanas, onde a densidade de pontos de recarga reduz a ansiedade de autonomia.
PBEV do Inmetro é exigente com elétricos
No Brasil, a autonomia dos carros elétricos é impactada por três fatores principais: infraestrutura limitada, condições climáticas e padrões de homologação. O ciclo de testes do Inmetro, utilizado no PBEV, segue metodologias próprias e muitas vezes resulta em números mais conservadores. Além disso, o tráfego urbano intenso e o uso frequente de ar-condicionado em regiões quentes reduzem a eficiência energética.
Outro ponto é a oferta de modelos. Muitos veículos elétricos vendidos no Brasil são versões adaptadas de modelos internacionais, com baterias menores para reduzir custos. Isso explica por que a autonomia média fica entre 250 km e 400 km, segundo dados oficiais do Inmetro.
Agora que explicamos o porquê de os carros elétricos terem "menos autonomia" no Brasil, que tal conferir também quantas marcas chinesas vendem carros no Brasil em 2026, já que essa é a especialidade delas?
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