
Provavelmente, você já ouviu alguém dizer que os carros atuais são mais frágeis ou "feitos de plástico", já que amassam mais que os modelos antigos em acidentes. Mas sabia que há uma explicação física e um motivo de segurança por trás disso?
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A explicação reside na Segunda Lei de Newton. Basicamente, quanto maior o tempo necessário para variar a velocidade de um objeto, menor será a força aplicada sobre ele. Portanto, os carros novos são projetados para amassar mais, pois essa deformação gradual aumenta o tempo do impacto, diminuindo drasticamente a força transferida para os ocupantes da cabine.
Segurança em primeiro lugar
Os modelos antigos eram construídos com materiais mais rígidos, como chapas grossas de aço, que dificilmente eram danificadas em batidas. No entanto, os riscos para os ocupantes eram muito maiores. Como o carro não absorvia a energia do impacto, essa força era transferida quase integralmente para a cabine, e as peças rígidas poderiam invadir o habitáculo, causando danos graves.
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Já os modelos mais novos contam com materiais estrategicamente mais maleáveis em suas extremidades, especificamente projetados para se deformar e absorver a energia de uma colisão. Você pode visualizar a diferença de construção e segurança em vídeos de crash tests, como o que compara um Chevrolet Bel Air de 1959 e um Chevrolet Malibu de 2009.
Vida se tornou prioridade
Como se observa nesses testes, a diferença do impacto dentro da cabine é gritante. Enquanto o manequim do Bel Air é "engolido" pela intrusão das peças da frente do carro, o Malibu, ao se deformar, contém a força do impacto, diminuindo sua velocidade e utilizando sistemas de segurança adicionais, como os airbags.
Hoje, os veículos são projetados pensando na vida de quem está na cabine e não apenas na preservação da estrutura externa do carro. Os engenheiros agora os desenham intencionalmente para serem amassados.
Apesar de parecer contraditório, essa estratégia faz total diferença na hora de salvar vidas em acidentes graves. Se um teste entre os dois modelos da Chevrolet, realizado em ambiente controlado e a apenas 40 km/h, já mostra uma disparidade enorme, imagine o risco em uma rodovia a 120 km/h. As chances de sobrevivência em um modelo antigo seriam significativamente baixas.
A frente e a traseira do veículo são os principais pontos de impacto e são projetadas como zonas de deformação. Essas seções são compostas por materiais macios que absorvem a energia.
Por outro lado, outras partes monobloco são construídas como zonas de proteção. As colunas A, B e C são compostas por aços de ultra resistência para impedir que o teto ou as laterais se dobrem e atinjam quem está dentro.
Essa diferença estratégica entre os materiais usados em cada parte do carro faz toda a diferença em casos de acidente.
Estatísticas comprovam
O resultado desse trabalho de engenharia, focado em mitigar o perigo para os ocupantes, é comprovado por estudos e estatísticas globais. A eficácia das modernas medidas de segurança veicular, como as zonas de deformação, é notória. Confira os dados de órgãos governamentais dos eua (mortes por 100 milhões de milhas percorridas):
- 1970: 4,7 mortes
- 2020: 1,37 mortes
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