
Chatbots de IA como ChatGPT, Claude e DeepSeek registraram instabilidades frequentes nas últimas semanas. No caso da IA chinesa, as falhas chegaram a durar mais de sete horas até a operação ser normalizada, o que deixou usuários sem muitas alternativas nos chatbots.
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Essas empresas possuem páginas para monitorar o status dos serviços e identificar possíveis erros gerais. Mesmo com os alertas sobre interrupções, o uptime (tempo em que o serviço está ativo) segue alto, na casa dos 99%, mas muitos usuários sentem as instabilidades e relatam problemas ao redor do mundo.
O Canaltech explica por que as quedas acontecem e como as instabilidades são sentidas.
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Caiu para um, caiu para todo mundo?
Primeiramente, é importante definir o que seria uma queda de um serviço de IA. Para o lado do usuário, pode representar lentidão ao gerar uma resposta, dificuldade de carregamento ou uma mensagem de erro que impede o acesso a alguns recursos.
Uma instabilidade pode acontecer de diferentes formas e nem sempre afetar todas as pessoas envolvidas. O ChatGPT, por exemplo, tem uma página de status para monitorar o chatbot, o uso da API e o assistente de programação Codex. O site já informou erros no modo de voz, na geração de imagens ou em assinaturas específicas, o que revela que nem sempre as panes são gerais.
No entanto, os serviços de IA são cada vez mais populares e protagonistas em rotinas diárias, então qualquer tipo de problema pode ser amplamente sentido pelas pessoas. O especialista em qualidade de software e sócio da empresa Vericode, Joab Júnior, explica que fica mais fácil notar instabilidades do serviço quando a base de usuários é maior.
“Essas plataformas têm uma base massiva e global, então quando uma degradação acontece, mesmo que parcial ou regional, impacta milhares de pessoas ao mesmo tempo. Para o usuário, se a resposta demora, falha ou precisa ser reenviada várias vezes, a percepção é de que o serviço caiu, mesmo que ele ainda esteja tecnicamente ativo”, afirma em entrevista ao Canaltech.
O que faz uma IA “cair”?
As causas dos erros são incertas e variadas, mas normalmente envolvem problemas com infraestrutura: pico de acessos, erros de redirecionamento ou até problemas com plataformas que gerenciam o tráfego, como aconteceu com uma queda massiva nos serviços da Cloudflare em 2025, que derrubou ChatGPT, X e outras plataformas digitais.
Joab Júnior associa as eventuais falhas com o fato de que as IAs generativas são tecnologias muito complexas, de comportamento variável e que exigem muitos recursos computacionais. Com mais usuários e janelas de tokens maiores (a capacidade de formular um prompt), esses serviços podem operar perto do limite.
“Isso gera uma pressão inédita sobre capacidade computacional e arquitetura. Qualquer pico de demanda, ajuste de infraestrutura ou dependência externa pode gerar instabilidade”, acrescenta.
Qual é a relação com o uptime?
Voltando às páginas de status das plataformas, é comum ver os números de uptime na casa de 99%, considerado o ideal para serviços digitais. Porém, isso não significa que os chatbots não passem por problemas.
O Claude registrou instabilidades em 15 dos 31 dias do mês de março de 2026, por exemplo, variando entre problemas gerais e parciais. Ainda que não signifique que a plataforma tenha ficado completamente fora do ar, recursos ficaram inacessíveis para grupos de pessoas por um intervalo de tempo.
É mais fácil perceber a degradação em um chatbot: a ferramenta para de responder ou uma tarefa corriqueira deixa de ser feita, diferente de um app que pode apresentar problema em um recurso específico.
O cenário abre discussões para buscar alternativas, como mudanças de infraestrutura pelas empresas responsáveis para reduções de riscos. Para os usuários, é recomendável migrar entre diferentes chatbots e ficar de olho em opções que ofereçam modo offline.
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