Por que profissionais de tecnologia são mais vulneráveis ao burnout

O Brasil registrou 472 mil afastamentos por problemas de saúde mental em 2024, o maior número em pelo menos uma década e alta de 68% em relação ao ano anterior, segundo o Ministério da Previdência Social.

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O setor de tecnologia tem se destacado como um dos mais afetados, e o home office, modelo amplamente adotado pela área, é um dos principais fatores por trás desse avanço. A análise é do psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), que participou do Podcast Canaltech desta quinta-feira (25).

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Para o especialista, o problema começa na dissolução dos limites entre vida profissional e pessoal. "Você nunca cumpre oito horas, nunca. Sempre você trabalha 12, 10, 14, enfim, você está ligado o tempo inteiro, de manhã, de tarde, de noite, de madrugada, final de semana", afirma Antônio Geraldo.

Quando o espaço doméstico passa a ser também o ambiente de trabalho, filhos e parceiros se tornam involuntariamente parte desse contexto, criando conflitos que, segundo o médico, não deveriam existir.

A esse fator se somam o excesso de metas e o que o psiquiatra descreve como uma cadeia de pressões que vai do assédio às ameaças veladas de demissão. "Em poucos minutos, você consegue ter vários riscos psicossociais sendo colocados a todo vapor sobre a cabeça dessas pessoas, e nada para proteção, nada para orientação", diz.

O que os gestores precisam observar

Os primeiros sinais de adoecimento costumam ser físicos e comportamentais: atrasos de quem sempre chegou no horário, saídas frequentes ao banheiro, perda de peso, falhas de memória e redução da interação com colegas. "Quando a pessoa está doente, a gente tem perdas", resume o psiquiatra, indicando que cabe às lideranças perceber essas mudanças antes que o quadro se agrave.

Para as empresas, a recomendação é contratar avaliações de riscos psicossociais e implementar rotinas de proteção à saúde mental das equipes. O argumento é também financeiro. Um funcionário afastado representa custos que vão além dos 15 dias pagos pelo empregador. "Vou ter que treinar outra pessoa para fazer isso, sem garantia nenhuma que um mês depois essa pessoa não adoece", pondera Antônio Geraldo.

Os afastamentos por burnout no Brasil cresceram 493% entre 2021 e 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social compilados pela Folha de S.Paulo.

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