Quais países além do Brasil usam urna eletrônica?

O Brasil está entre os países que utilizam tecnologia eletrônica nas eleições, mas não é o único. Segundo o Instituto Internacional para Democracia e Assistência Eleitoral (International IDEA), 34 países adotam algum tipo de votação eletrônica, em eleições nacionais ou subnacionais.

A tecnologia, porém, varia bastante entre eles. Em alguns lugares, o eleitor utiliza uma máquina que registra diretamente o voto, em um modelo semelhante ao brasileiro. Outros equipamentos imprimem uma cédula, fazem a leitura de votos marcados em papel ou permitem votar pela internet.

Dizer que um país "usa urna eletrônica" não significa necessariamente que o processo é igual ao brasileiro. A própria International IDEA separa os sistemas em diferentes categorias.

Veja quais outros países utilizam tecnologia eletrônica em suas eleições e como elas funcionam.

Máquinas que registram diretamente o voto

A tecnologia mais próxima da urna brasileira é chamada de DRE (Direct Recording Electronic — Urna Eletrônica de Votação Direta). Nela, a escolha do eleitor é registrada diretamente pelo equipamento eletrônico.

Na análise da International IDEA, 17 dos 34 países que utilizavam votação eletrônica adotavam máquinas DRE. O grupo inclui o Brasil e outros 16 países:

  • Albânia;

  • Bangladesh;

  • Butão;

  • Brasil;

  • Bulgária;

  • Fiji;

  • França;

  • Índia;

  • Irã;

  • México;

  • Namíbia;

  • Omã;

  • Panamá;

  • Peru;

  • Rússia;

  • Venezuela;

  • Estados Unidos, em alguns estados.

A existência de uma máquina DRE não significa que todos esses sistemas funcionem exatamente da mesma maneira. A principal diferença está na utilização do VVPAT (Voter-Verified Paper Audit Trail — Registro em Papel Verificado pelo Eleitor), mecanismo que produz um registro em papel para permitir a conferência do voto.

Segundo a International IDEA, Albânia, Bulgária, Fiji, Índia, Irã, México, Omã, Panamá, Peru, Rússia e Venezuela utilizavam DRE com VVPAT.

Bangladesh, Butão, Brasil, França e Namíbia apareciam na categoria sem VVPAT, enquanto os Estados Unidos tinham os dois modelos em diferentes estados.

No caso brasileiro, há ainda uma particularidade. Embora a classificação internacional coloque a urna do país na categoria DRE sem VVPAT, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que seu equipamento possui uma arquitetura própria, chamada Trusted-DRE, desenvolvida pela Justiça Eleitoral.

urnas eletrônicas

Máquinas que leem votos em papel

Outra modalidade utiliza uma cédula física durante a votação, mas deixa a leitura ou a contagem para equipamentos eletrônicos.

A International IDEA classifica esses sistemas como OMR (Optical Mark Recognition — Reconhecimento Óptico de Marcas) ou OCR (Optical Character Recognition — Reconhecimento Óptico de Caracteres).

Oito países apareciam nessa categoria no levantamento da organização:

  • Canadá;

  • República Dominicana;

  • Iraque;

  • Quirguistão;

  • Mongólia;

  • Filipinas;

  • Rússia;

  • Estados Unidos.

Nesse modelo, a máquina não substitui necessariamente a cédula. O eleitor pode continuar marcando o papel, enquanto o equipamento identifica as escolhas e automatiza parte da apuração.

As Filipinas são um exemplo desse formato. O país utiliza máquinas para fazer a leitura das cédulas preenchidas pelos eleitores, em vez de adotar uma urna que registre diretamente a escolha.

urna eletrônica Filipinas

Equipamentos que produzem cédulas eletrônicas

Há também sistemas classificados como Electronic Ballot Printers (EBPs) — Impressoras Eletrônicas de Cédulas. Eles utilizam equipamentos eletrônicos durante a votação, mas geram uma cédula que faz parte do processo eleitoral.

Quatro países aparecem nessa categoria na International IDEA:

  • Argentina;

  • Bélgica;

  • República Democrática do Congo;

  • Fiji.

O funcionamento pode variar entre os países. A principal diferença para uma DRE tradicional é a presença de um registro físico produzido pelo equipamento, que pode ser utilizado nas etapas seguintes da eleição.

A Argentina, por exemplo, utiliza sistemas eletrônicos em determinadas eleições e jurisdições, mas não possui uma única tecnologia aplicada de maneira uniforme em todo o território.

Votação pela internet

A tecnologia também pode eliminar a necessidade de comparecimento a uma máquina de votação. A International IDEA registrava 14 países com algum tipo de votação pela internet no levantamento que identificou os 34 países com e-voting.

Os casos identificados pela organização eram:

  • Armênia;

  • Austrália;

  • Canadá;

  • Estônia;

  • França;

  • México;

  • Nova Zelândia;

  • Omã;

  • Panamá;

  • Paquistão;

  • Rússia;

  • Coreia do Sul;

  • Emirados Árabes Unidos;

  • Equador.

A modalidade, porém, não é necessariamente oferecida para toda a população. A International IDEA aponta que a votação pela internet é utilizada de diferentes maneiras, incluindo eleições locais, determinados grupos de eleitores e cidadãos que estão fora do país.

A Estônia é o exemplo mais amplo: o país permite a votação pela internet para eleitores dentro do território nacional. Em outros casos, a ferramenta é restrita a grupos específicos ou a cidadãos que estão no exterior.

{{WHATSAPP_CHANNEL}}