
Você paga caro no seu Galaxy S ou no seu dobrável da linha Z, mas será que o lucro real da Samsung é tão alto assim? Entenda os fatores que influenciam os valores de produção e venda dos smartphones.
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Para entender melhor este caso, consultamos especialistas do mercado que explicam diversos fatores importantes. Thiago Muniz, CEO e sócio na Receita Previsível e na B2B Stack, informa que não há dados públicos abertos sobre os lucros da Samsung.
Apesar do sigilo, cada marca tem sua tática. A Apple costuma buscar margens altas pelo valor do ecossistema, enquanto a Xiaomi aposta no volume de vendas com margem menor. A Samsung, por sua vez, tenta equilibrar os dois modelos, com linhas de produtos variadas e montagem em território nacional.
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Custo de produção de um celular
Embora não existam dados divulgados oficialmente pela empresa sobre quanto ela fatura com cada aparelho, é possível fazer uma estimativa baseada em relatórios de consultorias como a Counterpoint.
Antes, é preciso entender o que é o Custo Global de Produção (BoM, do inglês Bill of Materials, ou Fatura de Materiais). Ele soma os valores físicos do aparelho, como tela, chip e chassi. No entanto, a diferença entre o BoM e o preço da vitrine não é o lucro puro.
Para ilustrar o impacto desses componentes no custo total de um smartphone topo de linha, veja a estimativa abaixo:
Componente Custo estimado por aparelho Chip / processador US$ 120 a US$ 130 Tela OLED US$ 110 Câmeras / sensores US$ 70 a US$ 90 Bateria + placa-mãe US$ 40 Montagem e testes US$ 25 a US$ 30 Materiais, embalagem e outros US$ 30 a US$ 40Com base nessas estimativas, a margem bruta da Samsung em um smartphone topo de linha fica entre 40% e 45%, enquanto a margem líquida, após despesas operacionais, impostos e logística, gira em torno de 15% a 20%.
Isso significa um lucro estimado de cerca de US$ 90 a US$ 120 por aparelho vendido a US$ 600.
Se formos considerar uma conversão hipotética para valores do mercado brasileiro considerando apenas o preço final do aparelho, sem custos específicos do Brasil, como impostos e marketing, um Galaxy S26 base que custa que custa cerca de R$ 6000, o lucro estimado de 20% seria cerca de R$ 1.200.
Preços altos no Brasil
Segundo Thiago, o grande vilão do preço são os impostos. Por isso, para fugir da taxa de importação, quase 95% dos celulares vendidos no país são montados aqui. Essa iniciativa alivia o custo inicial, mas não apaga tributos pesados como ICMS, IPI e PIS/COFINS da conta financeira.
Crise dos chips e aumento do preço dos componentes
Em 2026, os preços subiram no mundo todo. A comentada “crise dos chips” continua em pauta. No entanto, fatores como a inflação global e as tensões geopolíticas, com confrontos entre países e guerras tarifárias, encarecem as peças e o transporte logístico internacional.
Além disso, com o processo de inovação mais lento, as pessoas demoram mais para trocar de telefone. Sem saltos drásticos de tecnologia, as vendas caem. Assim, o lucro das empresas passa a vir do preço alto e não do volume.
“Os custos de todos os componentes de tecnologia continuarão subindo e serão sentidos pelo consumidor com mais força até o fim deste ano. Em 2027, os aumentos sucessivos devem estagnar. Não devemos ter produtos mais baratos, mas sim produtos que parem de ser reajustados para cima”, afirma Reinaldo Sakis, diretor do IDC Latin America."
Ano difícil
Os números da divisão mobile da Samsung revelam a intensidade da pressão financeira. No ano passado, a Samsung MX alcançou lucro operacional de cerca de 12,9 trilhões de won sul-coreanos (aproximadamente US$ 8,6 bilhões).
Mas projeções para este ano indicam uma queda para 5 trilhões de won (US$ 3,3 bilhões), uma redução superior a 60%.
A margem operacional também despenca: de 11% no primeiro trimestre de 2025 para apenas 3% agora, segundo analistas. Dentro da empresa, fontes internas veem até uma margem de 1% em 2026 como um feito positivo, o que reflete as crescentes preocupações com o setor de smartphones.
Queda do dólar não reduziu preços
Entre 2025 e 2026, o dólar sofreu uma desvalorização considerável, saindo de R$ 6,20 em 2 de janeiro de 2025 para R$ 4,99 em 15 de abril de 2026, segundo dados do IPEA.
No entanto, mesmo com a desvalorização da moeda norte-americana em relação ao real, os preços continuam subindo, e esse fator deixa os consumidores confusos.
Thiago Muniz explica que, mesmo com o câmbio mais favorável para o Brasil, os custos externos para produzir aparelhos eletrônicos aumentaram.
Chips, telas, memórias e os insumos para produzir esses componentes: tudo ficou mais caro. Além disso, as marcas aproveitam a chance para recuperar suas perdas e manter a margem em alta.
Marketing e logística também afetam lucros
A produção do aparelho é apenas a primeira etapa do gasto. Muniz alerta para os altos custos operacionais no Brasil: armazenamento, transporte, campanhas de marketing, lojas físicas, frete e a extensa rede de suporte custam muito dinheiro.
Apesar de não haver informações diretas sobre o lucro real da Samsung, é possível estimar que a quantidade de lucro que parece grande acaba consideravelmente menor devido aos gastos com impostos e ao alto custo na operação.
Isso reflete um desafio para as empresas na busca por equilibrar a lucratividade e a oferta de produtos que estejam ao alcance dos consumidores.
O aumento de preços de smartphones não é algo exclusivo de modelos novos. Veja também como os celulares usados ficaram tão caros.
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