Quase acidente de bicicleta levou engenheiro da NASA a revolucionar caminhões

Foi em meados dos anos 1970, na Califórnia, que o engenheiro Edwin J. Saltzman quase sofreu um acidente de bicicleta enquanto pedalava rumo ao trabalho. Na época, Saltzman trabalhava no Dryden Flight Research Center, divisão da NASA dedicada a estudos de como o ar se comporta ao redor das aeronaves — e o “susto” daquele dia ajudou a mudar o destino do transporte rodoviário

Na ocasião, Saltzman foi atingido por uma forte parede de ar impulsionada por uma carreta que se movia em alta velocidade. Ele foi empurrado para o acostamento e sentiu algo parecido com uma sucção de ar, que o ajudou a voltar para a pista. O ocorrido despertou uma percepção técnica: se o impacto era capaz de mover um ciclista, então a resistência do ar estava prejudicando (e muito!) a eficiência dos caminhões

Com isso em mente, Saltzman e seus colegas fizeram alguns testes com uma antiga van, e a modificaram com placas de alumínio para encontrar a pior aerodinâmica possível. Deu certo: eles começaram a testar o que aconteceria se suavizassem bordas verticais e horizontais. O resultado? Os pesquisadores validaram reduções de consumo entre 15% e 25%, provando que o design retangular das cabines da época era inimigo da economia de combustível.

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A ciência contra o arrasto invisível

O que acontece é que o segredo da aerodinâmica dos caminhões está na chamada "camada limite", que cria zonas de baixa pressão atrás do veículo e funcionando como se fosse um freio invisível — nos carros de passeio, a aerodinâmica afeta o consumo só em velocidades bem altas, mas nos caminhões o arrasto torna-se relevante já aos 60 km/h. Acima dos 90 km/h, pode representar mais de 60% da resistência total ao avanço.

A aerodinâmica dos caminhões foi repensada para poupar combustível (Sven Brandsma/Unsplash)

Para combater esse efeito, a indústria adotou soluções testadas pela NASA, como cabines arredondadas, saias laterais e defletores que reduzem o vão turbulento entre o cavalo e o reboque. Na traseira, o uso de abas aerodinâmicas ajuda a recompor o fluxo de ar, diminuindo o vácuo que suga o caminhão para trás. 

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