RAM Boost deixa o celular mais rápido? Nós testamos

As fabricantes de smartphones adoram destacar números cada vez maiores de memória RAM. Nos últimos anos, porém, surgiu uma nova promessa: o chamado RAM Boost, RAM Plus, Memory Extension ou RAM Virtual.

A proposta parece simples: o celular usa parte do armazenamento interno como uma espécie de memória RAM extra para melhorar o desempenho. Para entender melhor o impacto da função, analisei três celulares para saber se a melhora é real ou é puro marketing.

A conclusão foi menos impressionante do que o marketing costuma sugerir. Entenda:

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O que é RAM Boost?

A memória RAM tradicional é muito mais rápida que o armazenamento interno do celular. Quando o aparelho fica sem RAM disponível, aplicativos começam a ser fechados em segundo plano para liberar recursos.

O RAM Boost tenta amenizar isso usando parte do armazenamento como memória complementar. Na prática, ele não transforma armazenamento em RAM real, apenas cria uma área de troca (swap) para evitar que aplicativos sejam encerrados tão rapidamente.

Por isso, os ganhos costumam aparecer mais no multitarefa do que na velocidade bruta.

Parece bom demais para ser verdade (Felipe Junqueira/Canaltech)

POCO C40: melhora discreta, mas longe de milagres

O POCO C40 foi o primeiro celular que testei. Ele tem 4 GB de RAM nativa e adiciona mais 1 GB através do recurso.

O RAM Boost ajuda a manter aplicativos simples abertos por mais tempo, especialmente WhatsApp, Chrome e redes sociais. Por outro lado, não há melhora perceptível na abertura de apps ou no desempenho em jogos.

Indo além, o sistema fica até ligeiramente mais lento após longos períodos de uso com a função ativada, já que o armazenamento interno passa a ser utilizado com mais frequência.

Galaxy A07: multitarefa melhora, desempenho continua parecido

No Samsung Galaxy A07, a tecnologia aparece sob o nome RAM Plus. São 4 GB de RAM nativa e mais 4 GB de RAM virtual.

Quem utiliza muitos aplicativos simultaneamente pode perceber menos recarregamentos em segundo plano. Percebi que alternar entre navegador, Instagram, YouTube e aplicativos de mensagem fica um pouco mais consistente.

Já se tratando de desempenho, não há nenhuma mudança aparente, ou seja: o celular não fica mais potente. A sensação de ganho aparece apenas porque menos aplicativos precisam ser reiniciados ao trocar de tarefa.

Moto G71: onde o recurso parece funcionar melhor

Entre os três modelos analisados, o Motorola Moto G71 foi o que apresentou a experiência mais positiva. Como o aparelho já possui um hardware intermediário relativamente equilibrado (6 GB), a RAM virtual consegue atuar como complemento em cenários de uso intenso.

Notei melhor retenção de aplicativos em segundo plano e menos fechamentos inesperados durante multitarefa pesada. Ainda assim, a diferença não transforma a experiência do aparelho.

Jogos continuam rodando da mesma forma e aplicativos pesados não ficam significativamente mais rápidos. No fim, apenas reforçou o que foi visto nos outros dois.

Quem espera deixar o celular mais potente com o recurso vai sair decepionado (Gabriel Furlan Batista/Canaltech)

Então o RAM Boost funciona?

Sim, mas não do jeito que muitas propagandas sugerem. Nos três aparelhos analisados, a função mostrou benefícios principalmente para manter aplicativos abertos por mais tempo. O que ela não faz é aumentar o desempenho do celular.

Na prática: não melhora FPS em jogos, não acelera o processador, não reduz drasticamente o tempos de carregamento e nem substitui a RAM física. Para celulares com pouca memória, o recurso pode apenas ajudar a reduzir travamentos causados por multitarefa.

Quem espera transformar um aparelho básico em um intermediário provavelmente ficará decepcionado. Depois dos testes, a conclusão é simples: a RAM Boost está longe de ser o salto de desempenho que os fabricantes costumam sugerir.

Leia a matéria no Canaltech.