RAM usada vale a pena? Como comprar, testar e evitar golpes em 2026

Montar um PC gamer ou uma máquina de alto desempenho no Brasil de 2026 se tornou um verdadeiro desafio financeiro. Desde meados de setembro de 2025, os preços da memória RAM começaram a subir e não pararam mais, atingindo patamares históricos e atrapalhando totalmente a vida de quem quer montar um PC ou fazer um upgrade.

Recentemente, a HP disse que a memória RAM passou a representar, sozinha, cerca de um terço do valor total de um computador montado.

No mercado brasileiro, onde o poder de compra é constantemente pressionado, essa métrica significa que construir uma máquina nova com componentes de última geração ficou praticamente inviável para a grande maioria dos usuários. Hoje, 32 GB de memória DDR5 custa um PC de entrada de um ano atrás.

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O campo minado

Diante dessa barreira financeira, a migração em massa de usuários para o mercado de usados em marketplaces como a OLX e o Mercado Livre foi imediata. No entanto, o que deveria ser uma oportunidade de economia transformou-se em um verdadeiro campo minado. A popularização dos componentes usados atraiu golpistas profissionais que agora operam com métodos sofisticados de falsificação e ocultação de defeitos.

Avalie muito bem o anúncio antes da compra (Imagem: OLX)

O usuário acredita estar fazendo o negócio da vida ao adquirir um kit de alta performance por um preço justo (do período pré-crise), mas acaba levando para casa um componente adulterado. O resultado é quase sempre o mesmo: um sistema que parece estável nas primeiras horas, mas que começa a apresentar telas azuis e desligamentos repentinos assim que o computador é exigido em um jogo ou trabalho pesado. Isso se ele ligar.

Golpes mais comuns em 2026

Dentro das táticas mais aplicadas nesse ano, a "maquiagem de dissipador" continua sendo o golpe clássico pela sua simplicidade e eficácia visual. O golpista adquire pentes de memória genéricos, muitas vezes módulos de servidor antigos e lentos que sequer possuem compatibilidade com placas-mãe domésticas padrão, e aplica sobre eles dissipadores de calor com a pegada gamer.

Esses dissipadores, que imitam marcas renomadas como Corsair ou Kingston, são comprados por valores irrisórios em sites de importação asiáticos. Para o comprador leigo, a peça parece um hardware entusiasta de ponta, mas por baixo do metal reside um silício de baixíssima qualidade que jamais entregará as frequências ou latências prometidas no anúncio.

Esse é um ótimo exemplo visual de golpe (Imagem: Videocardz)

Ainda mais preocupante é o golpe do firmware falsificado, uma manobra técnica que engana o próprio sistema operacional. O golpista utiliza ferramentas de gravação para alterar as informações do chip SPD da memória, fazendo com que o Windows identifique, por exemplo, 16 GB de memória onde fisicamente existem apenas 8 GB.

O computador chega a ligar e mostrar a capacidade falsa nas propriedades do sistema, mas o desastre acontece quando a máquina tenta alocar dados além da capacidade real. Nesse momento, o endereço de memória inexistente causa um erro crítico de hardware, resultando na famosa Tela Azul da Morte, deixando o comprador com um prejuízo difícil de provar sem as ferramentas certas.

Alertas e como filtrar o anúncio perfeito

Para não cair nessas armadilhas, o consumidor precisa treinar o olhar para identificar o preço milagroso. Se o valor de mercado de um kit usado de 32 GB DDR5 está consolidado entre R$ 2.500 e 3.000 hoje, qualquer oferta por, digamos, R$ 1.000 deve ser tratada com extrema suspeita, independentemente da justificativa de "motivo de viagem" ou "venda urgente".

Outro ponto crucial é a análise das imagens do anúncio: fotos genéricas de sites de fabricantes são um sinal claro de alerta. O comprador deve sempre exigir fotos reais do produto em alta resolução, com foco total na etiqueta que contém o número de série e as especificações técnicas da peça.

Mais do que isso, é essencial solicitar um vídeo curto do pente de memória em funcionamento no PC do vendedor, preferencialmente com um software de diagnóstico ou um jogo pesado aberto simultaneamente. 

Se o vendedor apresentar qualquer resistência ou desculpa para não fornecer essas provas, o melhor caminho é cancelar a negociação na mesma hora.

Check-up físico: o que olhar quando a peça chegar

Assim que a memória estiver em mãos, o primeiro passo é uma inspeção visual minuciosa antes mesmo de conectá-la ao computador. É preciso observar os contatos dourados na base do pente. Eles devem estar perfeitamente limpos e sem riscos profundos que possam indicar má conexão ou desgaste excessivo por inserções repetidas.

Sempre compare as informações da etiqueta com softwares de leitura de memória (Imagem: Raphael Giannotti/Canaltech)

Sinais de oxidação, que se manifestam como manchas escuras ou esverdeadas, ou marcas de queimadura perto dos chips, são indícios de que o componente sofreu estresse térmico ou elétrico (como aumento de tensão exagerada) severo. As etiquetas e lacres de fábrica também dizem muito sobre a procedência da peça. Uma etiqueta mal colada, com bordas descolando, bolhas de ar por baixo ou uma impressão borrada e de baixa qualidade, é o atestado principal de que o dissipador foi trocado ou de que o produto é uma falsificação.

Teste de fogo: apps que desmascaram golpistas

Com a peça instalada, o usuário deve recorrer imediatamente a ferramentas práticas para validar a compra. O software Thaiphoon Burner é indispensável nesse processo, já que ele faz a leitura completa do chip SPD e revela o verdadeiro fabricante dos módulos de memória, permitindo confrontar os dados internos com o que está estampado no dissipador externo.

Para garantir a integridade física de cada célula de memória, rodar o MemTest86 via pendrive bootável ou o TestMem5 com o preset "Extreme" dentro do Windows é a única forma de garantir que o pente não possui setores defeituosos. Esses testes de estresse forçam a memória ao seu limite e, caso haja qualquer instabilidade ou erro de gravação de dados, os softwares acusarão o problema imediatamente, fornecendo a prova necessária para uma devolução segura.

Conclusão

Comprar memória RAM usada em 2026 é uma estratégia inteligente e necessária para quem deseja performance sem se render aos preços abusivos do hardware novo, mas é uma jornada que exige paciência e um trabalho rigoroso de detetive. A economia financeira só é real se o componente entregue for exatamente o que foi anunciado.

Por isso, a regra de ouro é nunca abrir mão da segurança nas transações: utilize sempre plataformas que ofereçam sistemas de proteção ao comprador e que façam a retenção do dinheiro até que todos os testes de bancada sejam concluídos com sucesso. Evitar depósitos diretos via Pix para desconhecidos e desconfiar de ofertas boas demais são as defesas finais do consumidor contra a crescente profissionalização dos golpes no mercado de hardware.

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