
Uma pesquisa da empresa de segurança Check Point Research identificou uma nova cepa de ransomware que, sem querer, também está afetando os hackers negativamente: ela destrói os arquivos que deveria somente bloquear para cobrar resgate, impossibilitando a recuperação.
O malware em questão é o VECT 2.0, do tipo ransomware-as-a-service, que surgiu originalmente em um fórum cibercriminoso russo em 2025. Uma falha no código faz com que o programa “destrua” qualquer arquivo maior do que 128 kb (kilobytes), um tamanho bastante pequeno, menor do que qualquer anexo de e-mail.
Ransomware defeituoso e seus problemas
Quando o VECT encripta o arquivo, “bagunçando” suas informações, ele precisa salvar um nonce criptográfico, um código secreto que permite a desencriptação posterior. Para arquivos grandes, o ransomware gera quatro códigos.
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Um erro na programação, no entanto, faz com que o programa siga sobrescrevendo cada código com um novo no mesmo espaço: é como escrever quatro combinações diferentes em um único papel e manter só a última. No final, três dos quatro códigos-chave somem para sempre, ou seja, é impossível usá-los como a senha de desencriptação.
Tanto os hackers quanto os pesquisadores de segurança e vítimas nunca mais terão acesso ao arquivo, que fica efetivamente destruído. Pagar o resgate é inútil, o que também afeta os criminosos negativamente.
A Check Point encontrou erros amadores no código do ransomware, desde ferramentas anunciadas que não funcionam, funções de evasão de segurança que está lá, mas não foram ligadas, e técnicas de escape que se cancelam sem querer: elas acabam deixando o código mais fácil de ler ao invés de mais difícil.
O preocupante nesse caso é que, apesar da incompetência técnica, o VECT tem um alcance grande: há uma parceria com BreachForums, uma das maiores comunidades hackers da internet, que dá a todos os usuários registrados acesso grátis ao kit de ferramentas de ransomware. Ataques do tipo têm evoluído a ponto de até incluírem violência física.
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