Dois processos contra a Sony na Europa podem fazer com que a japonesa abra o ecossistema fechado do PlayStation e permita novas plataformas e vendas digitais nos consoles. Atualmente, os jogadores podem adquirir jogos digitais nos consoles da Sony apenas via PlayStation Store.
No Reino Unido, a Sony é acusada de explorar sua posição dominante na venda de conteúdo digital do PlayStation em uma ação coletiva que busca mais de £ 2 bilhões em indenizações em nome de cerca de 12 milhões de clientes da marca. O julgamento já foi concluído no país em maio deste ano, mas segue sem uma decisão definitiva, que deve ser anunciada pelo Competition Appeal Tribunal.
Os autores do processo "Fair PlayStation", movido na Holanda, criticam a comissão de 30% nas vendas digitais na PlayStation Store, assim como restrições que impedem editoras de disponibilizar seus jogos em plataformas rivais dentro do PlayStation. O argumento é de que isso impede uma real concorrência de preços, o que força os jogadores a pagar mais.
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Essas causas ganharam ainda mais força após os comentários da advogada Magdalena Tulibacka. Em entrevista ao portal Marketplace em julho, a advogada afirma que, se esses processos contra a Sony tiverem sucesso, a empresa pode ter que fornecer compensação financeira a esses consumidores e, além disso, ser obrigada a permitir que varejistas terceirizados vendam os jogos digitais do PlayStation.
CEO da Epic Games comenta sobre plataformas fechadas
Do outro lado do mundo, duas empresas dos Estados Unidos têm travado uma batalha de anos no tribunal por motivos parecidos. A Epic Games tem disputado um acesso aberto ao iOS da Apple em todos os lugares do mundo, mas, por enquanto, só conseguiu avançar em três regiões. Em julho, por exemplo, a Epic Games Store chegou ao iPhone no Brasil com Fortnite e mais um jogo.
Os processos giram em torno do monopólio da App Store em dispositivos Apple, nos quais a Epic Games acusa a empresa da maçã de práticas abusivas e centralização de seu ecossistema. Apesar de ser parecido com o que vimos nos consoles, em que cada plataforma tem uma única loja digital controlada pelas respectivas fabricantes (como Microsoft Store e PlayStation Store), o chefão da Epic, Tim Sweeney, acredita se tratar de modelos diferentes.
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Em resposta à reportagem do Canaltech em uma coletiva de imprensa realizada no fim de julho, Sweeney destacou que "eles obtêm muito lucro com seu hardware e, por isso, forçam os desenvolvedores a pagar essas taxas abusivas em virtude do seu controle. É uma situação completamente diferente nos consoles. Os consoles são frequentemente vendidos abaixo do seu custo real".
O CEO acredita que as fabricantes de consoles "em última análise, servem ao consumidor e são justas entre si" e que, por isso, a Epic Games não tem "nenhum problema com o que eles fazem".
Fim das mídias físicas é uma faca de dois gumes para a Sony
O advogado do escritório Milberg Amsterdam, Jelle Duijn, afirmou ao Marketplace que o fim dos discos físicos do PlayStation em janeiro de 2028 pode fazer com que a Sony tenha controle total sobre os preços dos games.
“O fim dos discos físicos remove o último lugar em que um jogo de PlayStation ainda podia ser comprado e vendido a um preço competitivo. A ausência de discos significa nenhuma alternativa à PlayStation Store, então, a partir de 2028, a Sony sozinha decidirá quanto custa um jogo e até por quanto tempo você tem permissão para usá-lo”, contou Duijn.
A CFO da Sony, Lina Tao, já sugeriu que a empresa não voltará atrás na decisão de encerrar a produção de mídia física. "Entendemos os fãs, mas vamos em frente", afirmou em uma reunião para investidores.
Entenda de uma vez por todas o que de fato significa o fim das mídias físicas nos consoles.
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