Tarifa zero: por que o seu carro pode virar a solução para isenção no ônibus

O debate sobre a viabilidade da "tarifa zero" no transporte público ganhou novo fôlego no Congresso Nacional e em diversas prefeituras do país, mas, para economistas, a conta pode acabar sobrando para os motoristas dos carros. Para financiar a gratuidade ou redução dos preços das passagens, as taxas seriam direcionadas para os proprietários de automóveis na forma de pedágios urbanos e cobranças para a circulação em áreas centrais das cidades.

A questão é que o modelo atual é sustentado quase integralmente por quem gira a catraca, ou seja, sufoca a população de baixa renda e transforma o direito de ir e vir em uma mercadoria que exclui muitos. 

No outro lado da balança estaria um sistema de transporte mais eficiente, que ajuda tanto a diminuir o trânsito quanto a poluição. Pensando nisso, os defensores da mudança argumentam que os custos da mobilidade urbana precisam ser redistribuídos, tirando o peso financeiro exclusivo dos passageiros mais vulneráveis.

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O impacto no bolso do motorista

À primeira vista, pode até parecer justo incluir cobranças pelo uso dos carros, mas o problema é que os motoristas brasileiros também convivem com gastos que pesam no bolso — basta considerar os custos do IPVA, seguro e combustível, para começar.

A gratuidade dos ônibus distribuiria os custos para motoristas de carros (Paulo Pinto/ Agência Brasil)

Por isso, tributaristas alertam que a percepção de uma "dupla cobrança" será imediata. Para que a ideia avance e que seja aceita pela população, o poder público teria que garantir transparência total na destinação dos recursos arrecadados. 

Além de encontrar quem pague a conta, o modelo enfrenta ainda uma demanda reprimida de cidadãos que não viajavam por falta de recursos para o transporte. Se a taxação sobre os carros não for revertida em frotas maiores, viagens mais rápidas e conforto, a "tarifa zero” pode ter efeitos indesejados, como os já conhecidos ônibus superlotados.

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