Telegram mergulha em crise após nova polêmica com seu criador

O fundador e CEO do Telegram, Pavel Durov, voltou a enfrentar uma disputa com autoridades russas após ser acusado de suposto apoio ao terrorismo. O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) colocou o empresário em uma lista de procurados internacionais e afirmou que o aplicativo foi usado para organizar atividades criminosas, como sabotagens e ataques contra autoridades.

Segundo o FSB, o Telegram não teria removido canais, chats e bots usados por grupos ligados à inteligência ucraniana e organizações extremistas. As autoridades russas também afirmaram que um chatbot de relacionamento foi usado para atrair cidadãos russos para atividades criminosas. De acordo com o órgão, 46 pessoas entre 12 e 22 anos foram detidas no último ano por ataques contra agentes da lei e incêndios criminosos. 

A acusação aumenta a pressão sobre Durov e o Telegram, que já são questionados por governos de vários países sobre o uso da plataforma para atividades ilegais. Em 2024, o executivo foi preso na França durante uma investigação sobre crimes envolvendo tráfico de drogas e distribuição de material de abuso sexual infantil por usuários do aplicativo. Após ser investigado, Durov voltou a Dubai em 2025, mas segue sob investigação e prestou novos depoimentos em julho de 2026. 

Caso seja julgado e condenado pelas acusações de auxílio ao terrorismo na Rússia, Pavel Durov pode pegar prisão perpétua no país. Para o executivo, as autoridades russas estão fabricando pretextos para restringir a plataforma e suprimir a privacidade e a liberdade de expressão.

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Além disso, a relação entre o Telegram e o governo russo é contraditória. Embora autoridades usem o aplicativo para comunicação oficial, alguns integrantes do governo criticam a plataforma por não estar sob controle estatal. Ao mesmo tempo, militares e apoiadores da guerra na Ucrânia consideram o Telegram uma ferramenta importante para comunicação e organização de campanhas.

Enquanto o FSB acusa grupos ligados à Ucrânia de usar o Telegram para atividades criminosas, governos ocidentais também suspeitam que a Rússia utiliza a plataforma para recrutar agentes em outros países. Entre os casos citados estão o incêndio de um galpão com equipamentos para a Ucrânia em Londres, em 2024, e adolescentes contratados por hackers russos para mapear redes Wi-Fi na Holanda, onde fica o Tribunal Penal Internacional.

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Rússia tem tentando controlar a internet no país

A disputa envolvendo o Telegram acontece em meio aos esforços da Rússia para aumentar o controle sobre a internet no país. Desde a invasão da Ucrânia em 2022, o governo russo ampliou a censura, bloqueou plataformas estrangeiras, limitou serviços digitais e aumentou a fiscalização sobre conteúdos publicados online. 

O Telegram soma mais de 1 bilhão de usuários no mundo e já enfrentou tentativas de bloqueio na Rússia. Entre 2018 e 2020, o governo tentou impedir o funcionamento do aplicativo no país, mas não conseguiu interromper totalmente o acesso dos usuários. Antes de criar o Telegram, o Pavel Durov fundou o VKontakte, uma rede social semelhante ao Facebook que acabou passando para o controle de empresas alinhadas ao governo russo.

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O Facebook, Instagram e X também foram proibidos no país, enquanto aplicativos de mensagens, como Signal e Viber, sofreram bloqueios. O YouTube também passou por limitações de velocidade, dificultando o acesso de usuários ao serviço.

Ao mesmo tempo, Moscou tem incentivado o uso de alternativas nacionais, como o aplicativo de mensagens MAX, que reúne serviços públicos e pagamentos. Críticos apontam preocupações sobre privacidade, já que a ferramenta não oferece criptografia de ponta a ponta e prevê o compartilhamento de dados com autoridades quando solicitado.

O governo russo também mantém restrições contra serviços de VPN, usados por cidadãos para contornar bloqueios e acessar conteúdos proibidos. A estratégia faz parte de um esforço para concentrar o controle da infraestrutura digital e reduzir a influência de plataformas estrangeiras no país.

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